Do medir ao sentir

significados e afetações no autorrastreamento digital de exercícios físicos

Autores

  • Marcio Roberto de Lima Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). São João del-Rei, MG, Brasil https://orcid.org/0000-0003-3790-1104
    • Visualization

DOI:

https://doi.org/10.22456/1982-8918.148846

Palavras-chave:

Tecnologia digital, Dispositivos eletrônicos vestíveis, Monitorização fisiológica, Educação Física

Resumo

Este artigo investiga o autorrastreamento digital de exercícios físicos (ADEF) sob uma perspectiva sociomaterialista, com o objetivo de mapear as afetações emergentes e os significados associados e atribuídos por autorrastreadores. A pesquisa qualitativa envolveu 34 usuários de dispositivos vestíveis, com dados produzidos por meio de observação em espaços de treinamento, de plataformas digitais (Strava/Garmin Connect) e de questionários eletrônicos, analisados via ATLAS.ti segundo a Abordagem Indutiva Geral. Os resultados destacam que o ADEF assume múltiplos significados: motivação para a prática esportiva, engajamento em metas e desafios, impactos emocionais, risco de comportamentos obsessivos, revolta com manipulação de dados, intolerância a falhas técnicas, competição (consigo e com outros), curiosidade por novas modalidades de monitoramento, interesse em métricas corporais específicas e adaptação das rotinas de treino. Evidencia-se, assim, como tecnologias e corpos co-produzem essas afetações, reforçando a natureza híbrida das práticas contemporâneas de autorrastreamento.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marcio Roberto de Lima, Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). São João del-Rei, MG, Brasil

Doutor em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), professor Adjunto da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) em seu Departamento de Ciências da Educação (Deced). Universidade de Federal de São João del-Rei, Departamento de Ciências da Educação, São João del-Rei, MG, Brasil.

Referências

ARAÚJO, Allyson Carvalho. Hiperconexão em tempos de tecnologias de estilo de vida saudável: relações entre saúde, privacidade de dados e educação. Movimento, v. 31, p. e31005, 2025. DOI: https://doi.org/10.22456/1982-8918.137904.

COUTINHO, Francisco Ângelo; VIANA, Gabriel Menezes. Alguns elementos da Teoria Ator-Rede. In: COUTINHO, Francisco Ângelo; VIANA, Gabriel Menezes (org.). Teoria Ator-Rede e educação. Curitiba: Apris, 2019. p. 17–33.

ESCALA LIKERT. In: WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. 2021. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Escala_Likert&oldid=60492629. Acesso em: 11 mar. 2024.

FREIRE, Leticia de Luna. Seguindo Bruno Latour: notas para uma antropologia simétrica. Comum, v. 11, n. 26, p. 46–65, 2006. Disponível em: https://app.uff.br/riuff/bitstream/handle/1/12232/latour.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 13 jan. 2026.

LATOUR, Bruno. A esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos científicos. São Paulo: Editora Unesp Digital, 2017.

LATOUR, Bruno. Jamais fomos modernos. São Paulo: Ed. 34, 1994.

LATOUR, Bruno. Por uma antropologia do centro. Mana, v. 10, n. 2, p. 397–413, 2004. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-93132004000200007

LEMOS, André. A comunicação das coisas: teoria ator-rede e cibercultura. São Paulo: Annablume, 2013.

LEMOS, André. Mídia, tecnologia e educação: atores, redes, objetos e espaço. In: LINHARES, Ronaldo Nunes; PORTO, Cristiane; FREIRE, Valeria (org.). Mídia e educação: espaços e (co)relações de conhecimentos. Aracaju: EdUNIT, 2014. p. 11–28.

LIMA, Marcio Roberto de. Autorrastreamento de exercícios físicos: prática de dados na plataforma Strava. Motrivivência, v. 35, n. 66, p. 1–18, 2023a. DOI: https://doi.org/10.5007/2175-8042.2023.e94307

LIMA, Marcio Roberto de. Corpo afetado: uma experiência de autorrastreamento com uma tecnologia vestível. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 45, p. e20230055, 2023b. DOI: https://doi.org/10.1590/rbce.45.e20230055.

LIMA, Marcio Roberto de. Corpo dataficado: autorrastreamento na cultura digital. Encontros Bibli, v. 30, p. e106471, 2025. DOI: https://doi.org/10.5007/1518-2924.2025.e106471

LIMA, Marcio Roberto de. Exergames como possibilidade de ressignificação da docência na cultura digital. Revista e-Curriculum, v. 18, n. 4, p. 1857–1878, 2020. DOI: https://doi.org/10.23925/1809-3876.2020v18i4p1857-1878.

LIMA, Marcio Roberto de. Performance: operador teórico no campo da Educação a partir da Teoria Ator-Rede. Linhas Críticas, v. 28, p. e43415, 2022. DOI: https://doi.org/10.26512/lc28202243415

LIU, Lisha. Using generic inductive approach in qualitative educational research: a case study analysis. Journal of Education and Learning, v. 5, n. 2, p. 129, 2016. DOI: https://doi.org/10.5539/jel.v5n2p129

LUPTON, Deborah. Quantifying the body: monitoring and measuring health in the age of mHealth technologies. Critical Public Health, v. 23, n. 4, p. 393–403, 2013. DOI: https://doi.org/10.1080/09581596.2013.79493

LUPTON, Deborah. Self-Tracking. In: KENNERLY, Michele; FREDERICK, Samuel; ABEL, Jonathan (ed.). Information: a reader. New York: Columbia University Press, 2021. p. 187–198. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/10.7312/kenn19876. Acesso em: 13 jan. 2026.

LUPTON, Deborah. Self-tracking modes: reflexive self-monitoring and data practices. SSRN Electronic Journal, 2014. Disponível em: https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2483549. Acesso em: 16 nov. 2022.

LUPTON, Deborah. The quantified self: a sociology of self-tracking. Cambridge, UK: Polity, 2016.

LUPTON, Deborah; SMITH, Gavin. ‘A Much Better Person’: the agential capacities of self-tracking practices. In: AJANA, Btihaj (org.). Metric culture: ontologies of self-tracking practice. Londres: Emerald, 2018. p. 57–75. DOI: https://doi.org/10.1108/978-1-78743-289-520181004

MELO, Maria de Fátima Aranha de Queiroz. Mas de onde vem o Latour? Pesquisas e Práticas Psicossociais, v. 2, n. 2, p. 258–268, 2008. Disponível em: https://ufsj.edu.br/portal-repositorio/File/revistalapip/queiroz_melo_artigo.pdf. Acesso em: 13 jan. 2026.

OLIVEIRA, Braulio Nogueira de; FRAGA, Alex Branco. Cultura fitness digital no léxico da cultura corporal de movimento: temas emergentes para a educação física escolar. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 44, p. e001922, 2022a. DOI: https://doi.org/10.1590/rbce.44.e001922

OLIVEIRA, Braulio Nogueira de; FRAGA, Alex Branco. Movimento quantified self: a vida fitness orientada por números. Movimento, v. 28, p. e28035, 2022b. DOI: https://doi.org/10.22456/1982-8918.117533

OLIVEIRA, Kaio Eduardo de Jesus; PORTO, Cristiane de Magalhães. Educação e teoria ator-rede: fluxos heterogêneos e conexões híbridas. Ilhéus: Editus, 2016.

THOMAS, David. A general inductive approach for analyzing qualitative evaluation data. American Journal of Evaluation, v. 27, n. 2, p. 237–246, 2006. DOI: https://doi.org/10.1177/1098214005283748

THOMAS, David R. A general inductive approach for qualitative data analysis. 2003. Disponível em: https://www.frankumstein.com/PDF/Psychology/Inductive%20Content%20Analysis.pdf. Acesso em: 13 jan. 2026.

YIN, Robert. Pesquisa qualitativa do início ao fim. Porto Alegre: Penso, 2016.

Publicado

2026-07-14

Como Citar

LIMA, Marcio Roberto de. Do medir ao sentir: significados e afetações no autorrastreamento digital de exercícios físicos. Movimento, [S. l.], v. 32, p. e32022, 2026. DOI: 10.22456/1982-8918.148846. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/Movimento/article/view/148846. Acesso em: 10 ago. 2026.

Edição

Seção

Artigos Originais

Artigos Semelhantes

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.