Pedagogias de gênero e usufruto do lazer
Um estudo com meninas em territórios marcados pela violência contra as mulheres em Porto Alegre/RS
DOI:
https://doi.org/10.22456/1982-8918.152071Palavras-chave:
Violência de gênero, Lazer, Terrritorialidade, Pedagogias de gênero, mulheresResumo
O presente artigo busca compreender em que condições meninas residentes em regiões com altos índices de violência contra mulheres negociam seus acessos e usufruto do lazer. O material empírico foi produzido com 50 meninas de 9 a 17 anos, em duas escolas, por meio de observações participantes, registros em diário de campo, entrevistas semiestruturadas e grupo focal. Os relatos indicam que os riscos e a iminência da violência garantem a eficácia das pedagogias de gênero que lhes permitem estar no lazer. Ao evitarem locais escuros, buscarem horários de maior movimento e modularem suas presenças conforme a percepção dos riscos, aquelas garotas operam uma leitura do espaço urbano, forjada por experiências cotidianas que as ensinam a viver sob vigilância e a se autorregularem. A violência, nesse sentido, não aparece como um evento pontual, mas como um mecanismo estruturante que incide no usufruto dos espaços públicos e de lazer pelas mulheres.
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