Passado, presente, afrofuturo

narrativas imagéticas não-ficcionais e humanidade visual a partir da Trace Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.22456/1807-8583.151225

Palavras-chave:

Afrofuturismo, narrativas audiovisuais, negritude, não-ficção

Resumo

Este artigo investiga como narrativas imagéticas não-ficcionais podem funcionar como iniciativas afrofuturistas no audiovisual brasileiro ao reorganizarem regimes de visibilidade, endereçamento e reconhecimento. Tomando o canal Trace Brasil como estudo de caso, propõe-se o conceito de humanidade visual para nomear um regime de imagens que restitui complexidade, interioridade, afetos, contradições e horizontes de futuro a sujeitos negros, deslocando a negritude do lugar histórico de objeto de captura e de estereótipos na televisão hegemônica. Ancorado nos debates sobre comunicação, consumo, representação e cidadania, o texto argumenta que consumir imagens é disputar temporalidade e estatuto de humano, e que o Afrofuturismo pode ser lido para além da ficção, como prática situada no presente que repara imaginários e projeta possibilidades. Metodologicamente, realiza-se uma análise qualitativa interpretativa, com leitura audiovisual-discursiva, mobilizando categorias como regime de endereçamento, política de presença, repertórios de humanidade, futuridade, legitimação e transcodificação. O corpus reúne dois conteúdos de 2022, o episódio 49 da quarta temporada de Trace Trends e a cobertura de bastidores do especial Humor Negro. Os resultados indicam que a Trace Brasil sustenta presenças negras em chave afirmativa, normaliza o cotidiano sem centralizar o racismo como eixo narrativo e produz futuridade por meio de repertórios de alegria, trabalho, saúde, criação e celebração, evidenciando uma disputa estética e política pelo direito de aparecer e de existir no tempo.

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Biografia do Autor

Fernanda Carrera, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 2. Professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF), na linha de pesquisa Estéticas e Tecnologias da Comunicação. Líder do grupo de pesquisa LIDD - Laboratório de Identidades Digitais e Diversidade (UFRJ). Doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense(UFF) e Mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Flávia Fontes, Universidade Federal Fluminense

Mestre em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense. Graduada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense e em Publicidade e Propaganda pela Estácio de Sá. Pesquisa mídia, narrativas visuais e afrofuturismo.

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Publicado

2026-07-13

Como Citar

CARRERA, Fernanda; FONTES, Flávia. Passado, presente, afrofuturo: narrativas imagéticas não-ficcionais e humanidade visual a partir da Trace Brasil. Intexto, Porto Alegre, n. 58, 2026. DOI: 10.22456/1807-8583.151225. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/intexto/article/view/151225. Acesso em: 8 set. 2026.

Edição

Seção

Seção temática 30 anos PPGCOM UFRGS

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