Medicalização e normalização da sociedade

Autores

  • Flavia Cristina Silveira Lemos Psicóloga, Mestre em Psicologia e Doutora em História (UNESP). Profa. associada II em Psicologia Social-UFPA.
  • Geise do Socorro Lima Gomes Doutora em Educação-UFPA
  • Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira Professor associado II de Psicologia Social do Trabalho-UFPA
  • Dolores Cristina Gomes Galindo Profa no Programa de Pós-graduação de Estudos da Cultura Contemporânea-UFMT.

DOI:

https://doi.org/10.22456/2238-152X.93406

Palavras-chave:

Medicalização, Biopoder, Norma, Sociedade, Governo.

Resumo

Este artigo é um ensaio temático e teórico sobre as práticas de medicalização, a partir das análises de Michel Foucault sobre poderes e saberes da disciplina e da biopolítica, em um campo da bio-história e da normalização da sociedade. O texto apresenta alguns aspectos que sustentam processos de medicalização por meio da racionalidade patologizadora dos corpos e das relações sociais, culturais e subjetivas. A docilização da existência e a gerência da vida passaram a fazer parte dos cálculos no biopoder, se tornando dispositivos de governo das condutas, na sociedade contemporânea. Governar a vida em nome da expansão da mesma e do aumento da saúde implica um ato permanente de organizar os corpos e a saúde deles, de acordo com os critérios do Estado sobre saúde.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Flavia Cristina Silveira Lemos, Psicóloga, Mestre em Psicologia e Doutora em História (UNESP). Profa. associada II em Psicologia Social-UFPA.

Profa. associada II psicologia social/UFPA. Bolsista de produtividade em pesquisa CNPQ PQ2. Psicóloga-UNESP; Mestre em Psicologia Social-UNESP; Doutora em História Cultural-UNESP.

Geise do Socorro Lima Gomes, Doutora em Educação-UFPA

Psicóloga-UFPA; Mestre em Psicologia-UFPA; Doutora em Educação-UFPA

Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira, Professor associado II de Psicologia Social do Trabalho-UFPA

Psicólogo-UFPA; Mestre e Doutor em Saúde do trabalhador na ENSP-FIOCRUZ; Coordenador do Programa de Pós-graduação em Psicologia da UFPA. Professor associado II de Psicologia Social do trabalho - UFPA.

Dolores Cristina Gomes Galindo, Profa no Programa de Pós-graduação de Estudos da Cultura Contemporânea-UFMT.

Psicóloga-UFPE; Mestre e Doutora em Psicologia Social - PUC-SP; Professora associada II de Psicologia Social da UFMT. Profa no Programa de Pós-graduação de Estudos da Cultura Contemporânea-UFMT.

Referências

BOARINI, Maria Lúcia. A formação do psicólogo. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 12, n. 2, p. 443-444, maio/ago. 2007.

CAMARGO JR. Kenneth Rochel de. As armadilhas da “concepção positiva de saúde”. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 1, n. 76, p. 63-76, 2007.

CANDIOTTO, César. Verdade e diferença no pensamento de Michel Foucault. Kriterion. Belo Horizonte, n. 115, p. 203-217, jun/2007.

CASTRO, Edgar. Vocabulário de Foucault. Um percurso pelos seus temas, conceitos e autores. Trad.: Ingred Müller Xavier; revisão técnica Alfredo Veiga-Neto e Walter Omar Kohan. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.

COLLARES, C. L., MOYSÉS, M. A. A. Desnutrição e fracasso escolar: uma relação tão simples? Revista da ANDE v.5, p. 56-62, 1982.

______. A Transformação do Espaço Pedagógico em Espaço Clínico (A Patologização da Educação). São Paulo, FDE, 25-31, 1994. Série Ideias (23).

______. A história não contada dos distúrbios de aprendizagem. Caderno Cedes (28), 31-48, 1992.

COSTA, Sylvio de Sousa Gadelha. Governamentalidade neoliberal, Teoria do Capital Humano e Empreendedorismo. Revista Educação e Realidade, v.2, n.34, p. 171-186, mai/ago. 2009.

DELEUZE, Gilles. Conversações. Trad.: Peter Pál Pelbart. São Paulo: Editora 34, 2008.

EWALD, François. Foucault: a norma e o direito. Trad.: António Fernando Cascais. Lisboa: Veja, 1993.

FARHI NETO, LEON. Biopolíticas: as formulações de Foucault. Florianópolis: Cidade Futura, 2010.

______. O quê é a crítica. Trad.: Antônio C. galdino. Cadernos da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. UNESP, Marília, 2000c, v.9, n.1.

______. A ordem do discurso: Aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Trad.: Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Loyola, 2004a.

______. O nascimento da clínica. Trad.: Roberto Machado. 6.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004b.

______. O uso dos prazeres e as técnicas de si. In: Manoel Barros da Mota (Org.). Ética, sexualidade e política. Trad.: Elisa Monteiro, Inês Autran Dourado Barbosa. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004c (Ditos e Escritos, Vol. V).

______. História da sexualidade I: A vontade de saber. Trad.: Maria Tereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. 17. ed. Rio de Janeiro: Graal, 2005a.

______. Em defesa da Sociedade: curso no Collège de France (1975-1976). Trad.: Maria Ermantina Galvão. 25. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005b.

______. Diálogo sobre o poder. In: Manoel Barros da Mota (Org.). Estratégia, poder, saber. Trad.: Vera Lúcia Avellar Ribeiro. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006 (Ditos e Escritos, Vol. IV).

______. O nascimento da medicina social. In: Microfísica do poder. Org. e Trad.: Roberto Machado. 25. ed. Rio de Janeiro: Graal, 2008a.

______. A polícia da saúde no século XVIII. In: Microfísica do poder. Org. e Trad.: Roberto Machado. 25. ed. Rio de Janeiro: Graal, 2008b.

______. Segurança, Território e População. Trad.: Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 2008c.

______. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Trad.: Raquel Ramalhete. 35. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008d.

______. Sobre a história da sexualidade. Microfísica do Poder. Org. e Trad. Roberto Machado. 25ª. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2008g.

______. Nascimento da biopolítica. Eduardo Brandão (Trad.). São Paulo: Martins Fontes, 2008h.

______. A casa dos loucos. In.: Microfísica do Poder. Org. e Trad. Roberto Machado. 25ª. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2008i.

______. Os anormais: Curso no Collège de France (1974-1975). Trad.: Eduardo Brandão. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010a.

______. O sujeito e o poder. In: RABINOW, Paul & DREYFUS, Hubert. Michel Foucault: uma trajetória filosófica para além do estruturalismo e da hermenêutica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010b.

______. A hermenêutica do sujeito: curso dado no Collège de France (1981-1982). Trad.; Márcio Alves da Fonseca; Salma Tannus Muchail. 3ª ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010c.

______. O estilo da história [1984]. In.: Arte, epistemologia, Filosofia e História da Medicina. Coleção: Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Ditos e Escritos VII), 2011a.

______. Crise da Medicina ou crise da Antimedicina. In.: Arte, epistemologia, Filosofia e História da Medicina. Coleção: Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Ditos e Escritos VII), 2011b.

______. A incorporação do hospital na tecnologia moderna. In.: Arte, epistemologia, Filosofia e História da Medicina. Coleção: Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Ditos e Escritos VII), 2011c.

______. Bio-história e bio-política. In.: Arte, epistemologia, Filosofia e História da Medicina. Coleção: Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Ditos e Escritos VII), 2011d.

_______. O quê são as luzes? In.: Arte, epistemologia, Filosofia e História da Medicina. Coleção: Rio de Janeiro: Forense Universitária. (Ditos e Escritos VII), 2011e.

______. A verdade e as formas jurídicas. Rio de Janeiro: Nau, 2013.

GADELHA, Sylvio. (Bio)política, democracia, pluralismo e educação: dilemas que demandam uma politização outra.In.: Biopolítica, arte de viver e educação. Pedro Angelo Pagni, Sinésio Ferraz Bueno, Rodrigo Pelloso Germano (Orgs.). Marília: Oficina Universitária; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2012.

GALINDO, Dolores; LEMOS, Flávia Silveira; RODRIGUES, Renata Vilela. A vida como biocapital – futuros biológicos, uma aposta dos bancos privados de células-tronco de cordão umbilical no Brasil. Athena Digital, v. 2, n. 14, p. 255-274, julho. 2014.

GUARIDO, Renata. A medicalização do sofrimento psíquico: considerações sobre o discurso psiquiátrico e seus efeitos na Educação. Revista Educação e Pesquisa, São Paulo, v.33, n.1, p. 151-161, jan./abr. 2007.

LEMOS, Flávia Cristina Silveira. A medicalização da educação e da resistência no presente: disciplina, biopolítica e segurança. Revista Quadrimestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP, v. 18, n. 3, set./dez. 2014.

______; CRUZ, Franco Farias; SOUZA, Giane Silva. Medicalização da produção da diferença e racismo em algumas práticas educativas pacificadoras. Revista Profissão Docente, Uberaba, v.14, n.30, p.7-20, jan./jun. 2014.

MARTINS, André. Biopolítica: o poder médico e a autonomia do paciente em uma nova concepção de saúde. Revista Interface - Comunicação, Saúde, Educação, v.8, n.14, p.21-32, fev. 2004.

MONTEIRO, Helena Rego. Medicalização da vida escolar. Dissertação (Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Educação. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2006.

ORTEGA, Francisco; ZORZANELLI, Rafaela. Corpo em evidência: a ciência e a redefinição do humano. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010. (Coleção Contemporânea).

PETERS, Michael. Governamentalidade neoliberal e educação. In.: Sujeito da educação: estudos foucaultianos. Tomaz Tadeu da Silva (Org.), 5ª. ed. Petropólis, RJ: Vozes, 2002.

POPKEWITZ, Thomas S. História do Currículo, regulação social e poder. In.: O sujeito da educação: estudos foucualtianos. Tomaz Tadeu da Silva (Org.). 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.

RABINOW, Paul; ROSE, Nikolas. O conceito de biopoder hoje. Política e trabalho, Revista de Ciências Sociais, n. 24, abril, 2006, p. 27-57.

VEIGA-NETO, Alfredo. O currículo e seus três adversários: os funcionários da verdade, os técnicos do desejo, o fascismo. In.: Para uma vida não-fascista. Margareth Rago e Alfredo Veiga-Neto (Org.). Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009. (Coleção Estudos Foucaultianos).

VEYNE, Paul. O inventário das diferenças – história e sociologia. São Paulo: Editora Brasiliense, 1983.

VEYNE, Paul. Foucault revoluciona a história. In: Como se escreve a história. Trad.: Alda Baltar e Maria Auxiliadora Kneipp. 4. ed. Brasília: UNB, 2008.

Downloads

Publicado

2020-10-26

Como Citar

Lemos, F. C. S., Gomes, G. do S. L., Oliveira, P. de T. R. de, & Galindo, D. C. G. (2020). Medicalização e normalização da sociedade. Revista Polis E Psique, 10(3), 77–97. https://doi.org/10.22456/2238-152X.93406

Edição

Seção

Artigos

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)