Desordem informacional sobre o uso da terra
o poder do agronegócio brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.22456/1807-8583.151765Palavras-chave:
desordem informacional, análise do discurso, YouTube, agronegócio, greenwashingResumo
Este artigo investiga como a Frente Parlamentar da Agropecuária, também conhecida como bancada ruralista, utiliza a comunicação digital para legitimar seu projeto político e defender um conjunto específico de leis. Baseada no referencial conceitual de desordem informacional, que abrange desinformação, informação incorreta e informação maliciosa, a metodologia qualitativa combina Análise Crítica do Discurso e análise temática de 335 vídeos publicados no canal da Frente Parlamentar da Agropecuária no YouTube entre julho de 2020 e março de 2025. Os resultados revelam que o discurso da Frente no YouTube opera por meio de estratégias sofisticadas de desordem informacional articuladas em torno de dois argumentos dominantes: segurança jurídica e digitalização/ modernização. O argumento da segurança jurídica mobiliza desinformação, manipulando a interpretação da Constituição, e informação maliciosa, incluindo discurso de ódio e pânico moral, para criminalizar povos indígenas e movimentos socioterritoriais, legitimando assim legislações extrativistas, como o Marco Temporal. Por outro lado, o argumento da modernização recorre à desinformação e ao greenwashing, retratando o agronegócio brasileiro como “o mais sustentável do mundo”, e à informação descontextualizada que enquadra ferramentas digitais (por exemplo, o Cadastro Ambiental Rural) como soluções puramente técnicas, obscurecendo processos de grilagem e desapropriação de terras. Nosso estudo conclui que o discurso digital da bancada ruralista constrói narrativas para naturalizar a expansão rural e a desregulação jurídica, enquanto oculta a degradação ambiental e as violações de direitos socioterritoriais sob os enquadramentos retóricos de sustentabilidade e desenvolvimento.
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