O papel da masculinidade hegemônica no discurso político da extrema direita
um estudo do propósito comunicativo da família defendida por Jair Bolsonaro
DOI:
https://doi.org/10.19132/1807-8583.56.132842Palavras-chave:
Jair Bolsonaro, família, masculinidade, comunicação, políticaResumo
Com base nos autores Raewyn Connell, Michael Kimmel e Jason Stanley, o artigo busca auxiliar na compreensão de como a masculinidade hegemônica tornou-se a base para a fundamentação dos principais pilares do discurso político da extrema-direita no Brasil. Para isso, realizou-se a análise do discurso com base em um dos primordiais alicerces da campanha eleitoral para a presidência de Jair Bolsonaro em 2022, a defesa da “família tradicional brasileira”, como exemplo de discurso sustentador das estruturas androcêntricas e patriarcais e, portanto, da masculinidade tradicional em nossa sociedade. Ainda, o estudo usou as pesquisas de Pierre Bourdieu e Heleieth Saffioti com o objetivo de evidenciar como a naturalização dessas falas por lideranças políticas pode contribuir na propagação de diferentes formas de violência de gênero contra grupos “submissos” a essas estruturas hegemônicas de masculinidade.
Downloads
Referências
ALBRIGHT, M. Fascismo: um alerta. São Paulo: Planeta do Brasil, 2018.
BARBOSA, P. C. O.; XAVIER, V. R. D. O caráter patológico na definição de homossexualidade em dicionários escolares. Entrepalavras, Fortaleza, v. 11, n. 10, p. 245, 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.22168/2237-6321-10esp2093. Acesso em: 5 de maio. 2023
BIROLI, F.; QUINTELA, D. Mulheres e direitos humanos sob a ideologia da “defesa da família”. In: AVRITZER, L. et al. (ed.). Governo Bolsonaro: retrocesso democrático e degradação política. São Paulo: Autêntica, 2021.
BOLSONARO (programa eleitoral): “Nossa luta é contra o sistema”. PODER360, Brasil, 5 set. 2022a. 1 vídeo (4:23 min).
BOLSONARO (programa eleitoral): exalta governo e apresenta propostas. PODER360, Brasil, 3 set. 2022b. 1 vídeo (2:37 min).
BOLSONARO (comercial): “Fácil nunca será”. PODER360, Brasil, 1 out. 2022c. 1 vídeo (2:17 min).
BOLSONARO (programa eleitoral): 7 de setembro e valores da família. PODER360, Brasil, 10 set. 2022d. 1 vídeo (2:38 min).
BOLSONARO (comercial): “Bolsonaro trouxe esperança para o povo”. PODER360, Brasil, 30 set. 2022e. 1 vídeo (1:37 min).
BORGES, B. O que explica a queda surpreendente da taxa de desemprego no Brasil? Portal FGV, Rio de Janeiro, 18 jul.2022.
BOURDIEU, P. A dominação masculina: a condição feminina e a violência simbólica. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
BRANDÃO, H. H. N. Introdução à análise do discurso. 2. ed. rev. Campinas: Ed. da UNICAMP, 2004.
CAMPOS, L. A. “Um só povo, uma só raça”: a questão racial nos dois primeiros anos de Bolsonaro. In: AVRITZER, L. et al. (ed.). Governo Bolsonaro: retrocesso democrático e degradação política. São Paulo: Autêntica, 2021.
CARABÍ, A.; ARMENGOL, J. M. (ed.). La masculinidad a debate. Lectora: revista de dones i textualitat, Barcelona, v 15, n. 1, p. 177-178, 2008.
CONNELL, R. W. Políticas da masculinidade. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 185-206, 1995.
CONNELL, R. W.; MESSERSCHMIDT, J. W. Masculinidade hegemônica: repensando o conceito. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 21, n. 1, p. 241-282, 2013. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/s0104-026x2013000100014. Acesso em: 22 de maio 2023.
MARANHÃO F. E.; COELHO, F.; DIAS, T. “Fake news acima de tudo, fake news acima de todos”: Bolsonaro e o “kit gay”, “ideologia de gênero” e fim da “família tradicional”. Revista Eletrônica Correlatio, São Paulo, v. 17, n. 2, p. 64-90, dez. 2018.
FOUCAULT, M. Arqueologia do saber. Petrópolis: Vozes, 1971.
IBARRA LOYOLA, J.; DÍAZ BÁEZ, E. El miedo, último refugio de la masculinidad hegemónica. Revista Alternativas en Psicología, Mexico, n. 36, 2016.
INSTITUTO DE PESQUISA DATASENADO. Pesquisa DataSenado: violência doméstica e familiar contra a mulher. Brasília: Secretaria da Transparência [do] Senado Federal, nov. 2021.
KIMMEL, M. A produção simultânea de masculinidades hegemônicas e subalternas. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v 4, n. 9, p. 103-117, 1998. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-71831998000200007. Acesso em 11 out. 2023.
LERNER, G. A criação do patriarcado: história da opressão das mulheres pelos homens. São Paulo: Cultrix, 2019.
MIGUEL, L. F. A reemergência da direita brasileira. In: SOLANO, E. et al. (ed.). O ódio como política: a reinvenção das direitas no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2018. p. 16-26.
MIGUEL, L. F. O mito da “ideologia de gênero” no discurso da extrema direita brasileira. Cadernos Pagu, Campinas, n. 62, 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/18094449202100620016. Acesso em: 1 de jun. 2023.
OLAVARRÍA, J.; PARRINI, R. (ed.) Masculinidad/es. Identidad, sexualidad y familia. Primer Encuentro de Estudios de Masculinidad. Santiago, Chile: FLACSO-Chile/Universidad Academia de Humanismo Cristiano/Red de Masculinidad, 2000.
RICARDO, C. (aut.); BARKER, G. (clb.). Hombres, masculinidades y cambios en el poder: un documento de debate sobre la participación de los hombres en la igualdad de género desde Beijin 1995 hasta el año 2015. Washington: MenEngage; ONUMujeres; UNFPA, [2015].
ROCHA, C.; SOLANO, E. A ascensão de Bolsonaro e as classes. In: AVRITZER, L. et al. (ed.). Governo Bolsonaro: retrocesso democrático e degradação política. São Paulo: Autêntica, 2021.
SAFFIOTI, H. Gênero, patriarcado e violência. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2015.
SAFFIOTI, H. O poder do macho. São Paulo; Moderna, 1987.
SEGATO, R. L. La guerra contra las mujeres. Madrid: Traficante de Sueños, 2016.
SOARES, I. Em evento, Bolsonaro restringe família a “um homem, uma mulher e filhos”. Correio Braziliense, Brasília, 14 jul. 2022.
STANLEY, J. Como funciona o fascismo: a política do “nós” e “eles”. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2019.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2024 Oscar Milton Cowley Forner, Josenildo Bezerra Soares

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Os Direitos Autorais dos artigos publicados neste periódico pertencem aos autores, e os direitos da primeira publicação são garantidos à revista. Por serem publicados em uma revista de acesso livre, os artigos são de uso gratuito, com atribuições próprias, em atividades educacionais e não-comerciais.
A revista utiliza a Licença de Atribuição Creative Commons (CC BY-NC 4.0), que permite o compartilhamento de trabalhos com reconhecimento de autoria.
Auto-arquivamento (política de repositórios): autores têm permissão para depositar todas as versões de seus trabalhos em repositórios institucionais ou temáticos, sem embargo. Solicita-se, sempre que possível, que a referência bibliográfica completa da versão publicada na Intexto (incluindo o link DOI) seja adicionada ao texto arquivado.
A Intexto não cobra qualquer taxa de processamento de artigos (article processing charge).





