Se não curte afeminado, então tchau
capacidades de agir frente aos discursos de ódio no aplicativo Grindr
DOI:
https://doi.org/10.22456/1807-8583.151796Palavras-chave:
discurso de ódio, agência, performatividade, GrindrResumo
A plataformização tem reconfigurado as relações afetivo-sexuais e as subjetividades por meio de aplicativos como o Grindr. Embora o aplicativo facilite conexões entre homens, seu uso frequentemente reflete violências discursivas e a reprodução de exclusões sociais. Esta pesquisa aborda a lacuna científica sobre as capacidades de agir nesse cenário, tendo como objetivo analisar como usuários do Grindr desenvolvem agências linguísticas diante de discursos de ódio. Teoricamente, o estudo ancora-se na perspectiva de Judith Butler sobre performatividade e agência, reconhecendo o caráter histórico e comunicacional das injúrias em uma matriz cisheteronormativa, abertas a ressignificações. Metodologicamente, a investigação é exploratória e qualitativa. A partir do conceito butleriano de agência e de historicidades ligadas a homens que se relacionam afetivo-sexualmente com homens, foram analisados perfis de todos os estados brasileiros e o Distrito Federal. O foco analítico recai sobre a categoria “injúrias como autodenominações”, observando como pessoas usuárias se apropriam de termos pejorativos – como “afeminado”, “gordo” e “velho” – para ressignificá-los. A análise demonstra que essas agências não são puramente autônomas, mas negociadas: ao citar a injúria para se autodefinir, o sujeito utiliza a força do poder normativo para deslocar seus fluxos e desafiar a inferiorização. Conclui-se que tais práticas comunicacionais provocam rupturas na performatividade do ódio, demonstrando que o poder é passível de inflexões e reorientações por meio da linguagem.
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