O papel da masculinidade hegemônica no discurso político da extrema direita

um estudo do propósito comunicativo da família defendida por Jair Bolsonaro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.19132/1807-8583.56.132842

Palavras-chave:

Jair Bolsonaro, família, masculinidade, comunicação, política

Resumo

Com base nos autores Raewyn Connell, Michael Kimmel e Jason Stanley, o artigo busca auxiliar na compreensão de como a masculinidade hegemônica tornou-se a base para a fundamentação dos principais pilares do discurso político da extrema-direita no Brasil. Para isso, realizou-se a análise do discurso com base em um dos primordiais alicerces da campanha eleitoral para a presidência de Jair Bolsonaro em 2022, a defesa da “família tradicional brasileira”, como exemplo de discurso sustentador das estruturas androcêntricas e patriarcais e, portanto, da masculinidade tradicional em nossa sociedade. Ainda, o estudo usou as pesquisas de Pierre Bourdieu e Heleieth Saffioti com o objetivo de evidenciar como a naturalização dessas falas por lideranças políticas pode contribuir na propagação de diferentes formas de violência de gênero contra grupos “submissos” a essas estruturas hegemônicas de masculinidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Oscar Milton Cowley Forner, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Possui graduação em Comunicação Social - Jornalismo - pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2016), graduação em Comunicação Social - Publicidade - pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2022), especialista em Ciências Políticas pela Faculdade Integrada Instituto Souza (2023). Atualmente é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Tem experiência na área de Assessoria de imprensa, com ênfase no serviço público.

Josenildo Bezerra Soares, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Doutor em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2014). Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2006). Especialista em Ensino Fundamental pela Universidade Potiguar (2003). Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Universidade Potiguar (1999). Professor no curso de Publicidade e Propaganda no Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Professor permanente no Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia (PPgEM) da UFRN. Vice-diretor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes - CCHLA (2019 - 2023). Membro fundador da RELAIP - Red Latinoamericana de investigadores en Publicidade/Colômbia. Líder do Grupo de Pesquisa CORPOLÍTICA: grupo de estudos interdisciplinares, práticas discursivas e política dos corpos. Desenvolve estudos em Discurso Publicitário, Publicidade e questões de gênero, sexualidade e empoderamento, análise foucaultiana e construção das subjetividades pela mídia. 

Referências

ALBRIGHT, M. Fascismo: um alerta. São Paulo: Planeta do Brasil, 2018.

BARBOSA, P. C. O.; XAVIER, V. R. D. O caráter patológico na definição de homossexualidade em dicionários escolares. Entrepalavras, Fortaleza, v. 11, n. 10, p. 245, 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.22168/2237-6321-10esp2093. Acesso em: 5 de maio. 2023

BIROLI, F.; QUINTELA, D. Mulheres e direitos humanos sob a ideologia da “defesa da família”. In: AVRITZER, L. et al. (ed.). Governo Bolsonaro: retrocesso democrático e degradação política. São Paulo: Autêntica, 2021.

BOLSONARO (programa eleitoral): “Nossa luta é contra o sistema”. PODER360, Brasil, 5 set. 2022a. 1 vídeo (4:23 min).

BOLSONARO (programa eleitoral): exalta governo e apresenta propostas. PODER360, Brasil, 3 set. 2022b. 1 vídeo (2:37 min).

BOLSONARO (comercial): “Fácil nunca será”. PODER360, Brasil, 1 out. 2022c. 1 vídeo (2:17 min).

BOLSONARO (programa eleitoral): 7 de setembro e valores da família. PODER360, Brasil, 10 set. 2022d. 1 vídeo (2:38 min).

BOLSONARO (comercial): “Bolsonaro trouxe esperança para o povo”. PODER360, Brasil, 30 set. 2022e. 1 vídeo (1:37 min).

BORGES, B. O que explica a queda surpreendente da taxa de desemprego no Brasil? Portal FGV, Rio de Janeiro, 18 jul.2022.

BOURDIEU, P. A dominação masculina: a condição feminina e a violência simbólica. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

BRANDÃO, H. H. N. Introdução à análise do discurso. 2. ed. rev. Campinas: Ed. da UNICAMP, 2004.

CAMPOS, L. A. “Um só povo, uma só raça”: a questão racial nos dois primeiros anos de Bolsonaro. In: AVRITZER, L. et al. (ed.). Governo Bolsonaro: retrocesso democrático e degradação política. São Paulo: Autêntica, 2021.

CARABÍ, A.; ARMENGOL, J. M. (ed.). La masculinidad a debate. Lectora: revista de dones i textualitat, Barcelona, v 15, n. 1, p. 177-178, 2008.

CONNELL, R. W. Políticas da masculinidade. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 185-206, 1995.

CONNELL, R. W.; MESSERSCHMIDT, J. W. Masculinidade hegemônica: repensando o conceito. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 21, n. 1, p. 241-282, 2013. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/s0104-026x2013000100014. Acesso em: 22 de maio 2023.

MARANHÃO F. E.; COELHO, F.; DIAS, T. “Fake news acima de tudo, fake news acima de todos”: Bolsonaro e o “kit gay”, “ideologia de gênero” e fim da “família tradicional”. Revista Eletrônica Correlatio, São Paulo, v. 17, n. 2, p. 64-90, dez. 2018.

FOUCAULT, M. Arqueologia do saber. Petrópolis: Vozes, 1971.

IBARRA LOYOLA, J.; DÍAZ BÁEZ, E. El miedo, último refugio de la masculinidad hegemónica. Revista Alternativas en Psicología, Mexico, n. 36, 2016.

INSTITUTO DE PESQUISA DATASENADO. Pesquisa DataSenado: violência doméstica e familiar contra a mulher. Brasília: Secretaria da Transparência [do] Senado Federal, nov. 2021.

KIMMEL, M. A produção simultânea de masculinidades hegemônicas e subalternas. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v 4, n. 9, p. 103-117, 1998. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-71831998000200007. Acesso em 11 out. 2023.

LERNER, G. A criação do patriarcado: história da opressão das mulheres pelos homens. São Paulo: Cultrix, 2019.

MIGUEL, L. F. A reemergência da direita brasileira. In: SOLANO, E. et al. (ed.). O ódio como política: a reinvenção das direitas no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2018. p. 16-26.

MIGUEL, L. F. O mito da “ideologia de gênero” no discurso da extrema direita brasileira. Cadernos Pagu, Campinas, n. 62, 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/18094449202100620016. Acesso em: 1 de jun. 2023.

OLAVARRÍA, J.; PARRINI, R. (ed.) Masculinidad/es. Identidad, sexualidad y familia. Primer Encuentro de Estudios de Masculinidad. Santiago, Chile: FLACSO-Chile/Universidad Academia de Humanismo Cristiano/Red de Masculinidad, 2000.

RICARDO, C. (aut.); BARKER, G. (clb.). Hombres, masculinidades y cambios en el poder: un documento de debate sobre la participación de los hombres en la igualdad de género desde Beijin 1995 hasta el año 2015. Washington: MenEngage; ONUMujeres; UNFPA, [2015].

ROCHA, C.; SOLANO, E. A ascensão de Bolsonaro e as classes. In: AVRITZER, L. et al. (ed.). Governo Bolsonaro: retrocesso democrático e degradação política. São Paulo: Autêntica, 2021.

SAFFIOTI, H. Gênero, patriarcado e violência. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2015.

SAFFIOTI, H. O poder do macho. São Paulo; Moderna, 1987.

SEGATO, R. L. La guerra contra las mujeres. Madrid: Traficante de Sueños, 2016.

SOARES, I. Em evento, Bolsonaro restringe família a “um homem, uma mulher e filhos”. Correio Braziliense, Brasília, 14 jul. 2022.

STANLEY, J. Como funciona o fascismo: a política do “nós” e “eles”. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2019.

Downloads

Publicado

2024-01-01

Como Citar

Forner, O. M. C., e J. B. Soares. “O Papel Da Masculinidade hegemônica No Discurso político Da Extrema Direita: Um Estudo Do propósito Comunicativo Da família Defendida Por Jair Bolsonaro”. Intexto, nº 56, janeiro de 2024, doi:10.19132/1807-8583.56.132842.

Edição

Seção

Artigos