Débito cognitivo ou déficit metodológico? Uma crítica ao estudo do MIT (2025)
DOI:
https://doi.org/10.22456/1807-8583.150573Palavras-chave:
inteligência artificial, cognição, metodologia de pesquisa científica, letramento algorítmicoResumo
Este artigo propõe uma análise crítica do estudo Your Brain on ChatGPT: Accumulation of Cognitive Debt when Using an AI Assistant for Essay Writing Task, publicado em 2025 pelo Massachusetts Institute of Technology, que associa o uso de IA à redução do engajamento cognitivo e da retenção de memória. Sustenta-se que tal leitura não decorre apenas de fragilidades técnicas, mas de um déficit epistemológico que reduz a cognição a padrões neurais, ignorando suas dimensões sociais, culturais e mediadas. Apontam-se como limites a homogeneidade da amostra, a artificialidade da tarefa (redação em vinte minutos), a ausência de acompanhamento longitudinal e a restrição do eletroencefalograma para mensurar processos complexos. Diferentemente da narrativa midiática de “emburrecimento”, argumenta-se que os efeitos observados são imediatos e situados. Em diálogo com autores como Simondon, Régis, Varela e defende-se que a IA implica reorganização, e não perda da cognição.
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