Quando velhos resistem
Gil, Chico e Caetano nas manifestações brasileiras de 2025
DOI:
https://doi.org/10.22456/1807-8583.151781Palabras clave:
comunicação e consumo, envelhecimento, etarismo, resistência, velhice potente e desejanteResumen
O presente ensaio analisa a presença de artistas octogenários – notadamente Gilberto Gil, Chico Buarque e Caetano Veloso – nas manifestações políticas de 21 de setembro de 2025 no Brasil. O objetivo é problematizar o senso comum que associa a velhice ao ocaso e à incapacidade, propondo, em contrapartida, a noção de um “envelhecimento desejante”, interpretado como um contradispositivo ao etarismo e aos mecanismos de vigilância e controle sobre os corpos envelhecidos. Com base em uma análise cultural de evento político-musical ocorrido no Rio de Janeiro em protesto contra a chamada Proposta de Emenda à Constituição da Blindagem, o estudo articula os conceitos de esfera pública técnico-midiatizada de Richard Miskolci e as transformações do solo moral de Paula Sibilia para contextualizar a performance dos artistas destacados. Os resultados indicam que a atuação desses músicos no espaço público não representa apenas um ato simbólico, mas a manifestação de uma potência que aponta para o envelhecimento como fonte de autoridade moral e engajamento cívico. Tal fenômeno desafia o modelo etarista e jovencêntrico de atribuição de valor sociocultural e aponta para a necessidade de novas formas de encarar e vivenciar o envelhecer na contemporaneidade.
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