Preservar para conhecer, conhecer para valorizar
o ciclo vital do Patrimônio Cultural Digital
DOI:
https://doi.org/10.1590/1808-5245.32.149366Palavras-chave:
preservação digital, gestão do conhecimento, patrimônio cultural digital, memória social, ciência da informaçãoResumo
Este artigo explora a relação essencial entre Preservação Digital e Gestão do Conhecimento no âmbito do Patrimônio Cultural Digital, defendendo que a interação entre ambas forma um ciclo crucial para a proteção da memória social na era digital. Diante da crescente relevância do Patrimônio Cultural Digital em uma sociedade digitalmente orientada, a pesquisa ressalta a necessidade de estratégias de preservação eficientes. O estudo visa a examinar a interdependência entre Preservação Digital e Gestão do Conhecimento, destacando como a primeira assegura o acesso futuro ao Patrimônio Cultural Digital enquanto a segunda promove sua compreensão e importância como base da memória social. A metodologia adotada foi a pesquisa qualitativa, do tipo descritiva, utilizando-se da revisão bibliográfica. Foram analisados livros e artigos relevantes nas áreas da Ciência da Informação, Gestão do Conhecimento, Patrimônio Cultural e Arquivologia. A análise focou na identificação e na síntese dos principais conceitos, abordagens teóricas e desafios que envolvem a articulação entre Preservação Digital e Gestão do Conhecimento no contexto do Patrimônio Cultural Digital. O resultado foi o desenvolvimento de um modelo teórico que demonstra o ciclo fundamental do Patrimônio Cultural Digital, revelando como a preservação facilita a construção do conhecimento, e como o conhecimento adquirido estimula a valorização e a subsequente necessidade de preservação contínua. Conclui-se que é indispensável uma abordagem integrada entre Preservação Digital e Gestão do Conhecimento para garantir a sustentabilidade e a acessibilidade do Patrimônio Cultural Digital, fortalecendo, desse modo, a memória social.
Downloads
Referências
ARARIPE, F. M. A. Do patrimônio cultural e seus significados. Transinformação, Campinas, v. 16, n. 2, p. 111-122, 2004.
ARELLANO, M. A. Preservação de documentos digitais. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n. 2, p. 15-27, 2004. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0100-19652004000200002. Acesso em: 9 abr. 2025.
ARELLANO, M. A. Critérios para a preservação digital da informação científica. 2008. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Universidade de Brasília, Brasília, 2008.
ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Conceitos fundamentais de arquivos digitais. Acervo, Rio de Janeiro, v. 29, n. 2, p. 117-132, 2016a.
ARQUIVO NACIONAL (Brasil). Política de preservação digital. Versão 2. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2016b.
BARBEDO, F.; CORUJO, L.; SANT’ANA, M. Recomendações para a produção de planos de preservação digital. Versão 2.1. Lisboa: Direção-Geral de Arquivos, 2011.
BERGSON, H. Matéria e memória. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
BRASIL. Decreto n. 80.978, de 12 de dezembro de 1977. Promulga a Convenção Relativa à Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural, de 1972. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, p. 17107, 12 dez. 1977.
CHAGAS, M. Casas e portas da memória e do patrimônio. Em Questão, Porto Alegre, v. 13, n. 2, p. 207-224, 2007.
CHAGAS, M. Memória política e política de memória. In: ABREU, R.; CHAGAS, M. (org.). Memória e patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. p. 141-171.
CONSELHO INTERNACIONAL DE MONUMENTOS E SÍTIOS (ICOMOS). Declaração do México. Conferência Mundial sobre as Políticas Culturais. [S.l.: s.n.], 1985.
CONWAY, P. Preservation in the digital world. Washington: Commission on Preservation and Access, 1996.
DAVENPORT, T. H.; PRUSAK, L. Conhecimento empresarial. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
DIN, H.; WU, S. Digital heritage and culture: strategy and implementation. Singapore: WSPC, 2015.
DODEBEI, V. Patrimônio digital virtual: herança, documento e informação. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA, 26., 2008, Porto Seguro. Anais [...]. São Paulo: Associação Brasileira de Antropologia, 2008. p. 1-12.
FERNÁNDEZ-MOLINA, J. C.; GUIMARÃES, J. A. C. Las nuevas leyes de derecho de autor: ¿adecuadas para la preservación digital? Information Research, Sheffield, v. 12, n. 4, paper 323, 2007.
FORMENTON, D.; GRACIOSO, L. S.; CASTRO, F. F. Revisitando a preservação digital na perspectiva da ciência da informação: aproximações conceituais. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 13, n. 1, p. 170-191, 2015.
FUJITA, M. S. L.; RODRIGUEZ, S. M. T. Política de indexação no contexto da política arquivística de preservação digital do Centro de Documentação e Memória da Unesp. PragMATIZES - Revista Latino-Americana de Estudos Culturais, Niterói, n. 16, p. 91-110, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.22409/pragmatizes.v0i16.27982. Acesso em: 22 fev. 2025.
GAUDÊNCIO, S. M. Representação da informação de cibercordéis em blogs: uma análise sob luz da semântica discursiva. 2014. Dissertação (Mestrado em Ciências da Informação) - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2014.
GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
GONÇALVES, C. A.; GONÇALVES FILHO, C.; REIS, M. T. Estratégia empresarial: o desafio das organizações. São Paulo: Saraiva, 2006.
GONDAR, J. Quatro proposições sobre memória social. In: GONDAR, J.; DODEBEI, V. (org.). O que é memória social? Rio de Janeiro: Contracapa, 2005. p. 11-26.
GRÁCIO, J. C. A. Preservação digital na gestão da informação: um modelo processual para as instituições de ensino superior. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2012.
GRÁCIO, J. C. A.; FADEL, B.; VALENTIM, M. L. P. Preservação digital nas instituições de ensino superior: aspectos organizacionais, legais e técnicos. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 18, n. 3, p. 111-129, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-99362013000300008. Acesso em: 6 abr. 2025.
INNARELLI, H. C. Preservação digital: a influência da gestão dos documentos digitais na preservação da informação. Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 8, n. 2, p. 72-86, 2011.
KOSELLECK, R. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006.
LAZZARIN, F.; AZEVEDO NETTO, C. X.; SOUSA, M. R. Informação, memória e ciberespaço: considerações preliminares no campo da Ciência da Informação no Brasil. TransInformação, Campinas, v. 27, n. 1, p. 21-30, jan./abr. 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0103-37862015000100002. Acesso em: 5 abr. 2025.
LE COADIC, Y. F. A ciência da informação. Brasilia: Briquet de Lemos, 1996.
LÉVY, P. A inteligência coletiva. São Paulo: Edições Loyola, 1998.
LÉVY, P. Memória e cibercultura. [Entrevista cedida a] Lynnda Proulx e Maria Antonieta Pereira. Tradução de Anderson Fabian Ferreira Higino. Txt: Leituras Transdisciplinares de Telas e Textos, Belo Horizonte, v. 4, n. 8, p. 73-80, 2008.
MACIE, G. C. et al. Preservação digital sistêmica na administração pública moçambicana. In: ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 23., 2023, Aracaju. Anais [...]. Rio de Janeiro: ANCIB, 2023.
MARTINS, D. L.; LEMOS, D. L. S.; ANDRADE, M. C. Tainacan e omeka: proposta de análise comparativa de softwares para gestão de coleções digitais a partir do esforço tecnológico para uso e implantação. Informação & Informação, Londrina, v. 26, n. 2, p. 569-595, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.5433/1981-8920.2021v26n2p569. Acesso em: 9 abr. 2025.
NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação do conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
PANEVA-MARINOVA, D.; STOIKOV, J.; PAVLOVA, L.; LUCHEV, D. System architecture and intelligent data curation of virtual museum for ancient history. Trudy SPIIRAN, Saint Petersburg, v. 18, n. 2, p. 444-470, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.15622/sp.18.2.444-470. Acesso em: 13 abr. 2025.
RONDINELLI, R. C. Gerenciamento arquivístico de documentos eletrônicos. Rio de Janeiro: FGV, 2002.
SANTOS, B. R. P.; DAMIAN, I. P. M. O mapeamento do conhecimento por meio da análise SWOT: estudo em uma organização pública de saúde. Em Questão, Porto Alegre, v. 24, n. 3, p. 253-274, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.19132/1808-5245243.253-274. Acesso em: 13 jul. 2025.
SANTOS, H. M.; FLORES, D. As estratégias de emulação como fundamento para a preservação de objetos digitais interativos: a garantia de acesso fidedigno em longo prazo. Informação Arquivística, Rio de Janeiro, v. 3, n. 1, p. 95-116, 2014.
SANTOS, H. M.; FLORES, D. Preservação de documentos arquivísticos digitais: reflexões sobre as estratégias de emulação. Encontros Bibli - Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, v. 20, n. 43, p. 3-19, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.5007/1518-2924.2015v20n43p3. Acesso em: 11 abr. 2025.
SANTOS, H. M.; FLORES, D. Preservação de documentos arquivísticos digitais: reflexões sobre as estratégias de migração. PRISMA.COM, Porto, n. 37, p. 42-54, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.21747/16463153/37a3. Acesso em: 11 abr. 2025.
SHANNON, C. E.; WEAVER, W. The mathematical theory of communication. Illinois: The University of Illinois Press, 1949.
SPENDER, J. C. Gerenciando sistemas de conhecimento. In: FLEURY, M. T. L.; OLIVEIRA JR., M. M. (org.). Gestão estratégica do conhecimento: integrando aprendizagem, conhecimento e competências. São Paulo: Atlas, 2001. p. 27-49.
UNESCO. Charter on the preservation of the digital heritage. Paris: UNESCO, 2003.
WIENER, N. Cybernetics: or control and communication in the animal and the machine. Cambridge: MIT Press, 1948.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Thiago Felipe Soares da Silva, Natália Marinho do Nascimento, Ieda Pelógia Martins Damian, Maria Leandra Bizello

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (CC BY 4.0), que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista, como publicar em repositório institucional, com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Os artigos são de acesso aberto e uso gratuito. De acordo com a licença, deve-se dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Não é permitido aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.







