A promessa de liberdade no trabalho e a precarização dos jovens
entrevista com Carlos Jesús Fernández Rodríguez
DOI:
https://doi.org/10.22456/1807-8583.155256Palavras-chave:
trabalho, precarização, juventude, plataformas digitais, capitalismo contemporâneoResumo
Em entrevista realizada em cinco de março de 2026, Carlos Jesús Fernández Rodríguez – sociólogo e professor da Universidade Autônoma de Madri – analisa a formação histórica da promessa de liberdade no trabalho e suas tensões no capitalismo contemporâneo. O autor localiza sua origem nas transformações culturais dos anos 1960, quando valores da contracultura, como autonomia, criatividade e rejeição a hierarquias rígidas, passam a ser incorporados ao discurso empresarial, sobretudo após a crise do fordismo nos anos 1970. Nesse processo, consolida-se uma forma de organização produtiva mais flexível, influenciada tanto pela crítica contracultural quanto pelo pensamento neoliberal. No entanto, o contexto econômico do século XXI não sustenta plenamente essas expectativas. A entrevista mostra que, embora a juventude permaneça associada a ideais de realização e liberdade no trabalho, enfrenta um mercado definido por precarização, fragmentação e incerteza, intensificados pelas plataformas digitais e pela valorização do empreendedorismo individual. Discute-se ainda o papel das redes sociais na fragmentação das experiências coletivas e na construção de trajetórias profissionais instáveis. Por fim, o autor avalia a adoção de discursos progressistas pelas empresas, argumentando que tais iniciativas operam, em grande medida, como estratégias simbólicas de posicionamento, sem alterar a lógica estrutural de maximização da rentabilidade.
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Referências
ALONSO, Luis Enrique; FERNÁNDEZ RODRÍGUEZ, Carlos Jesús. Capitalismo y personalidad. Madrid: Los Libros de la Catarata, 2024.
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