Arquivos e emergência sanitária

uma análise do projeto de encomenda tecnológica da vacina Oxford/AstraZeneca pela Fundação Oswaldo Cruz

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1808-5245.32.148678

Palavras-chave:

emergência sanitária, Fiocruz, Bio-Manguinhos, gestão de documentos, Records Continuum

Resumo

Este artigo visa apresentar os resultados parciais do projeto “Emergência sanitária, arquivos e memória: reflexões teóricas, desafios institucionais e inovação”, tendo por objeto o processo de encomenda tecnológica e produção da vacina contra a covid-19 de Oxford/AstraZeneca, pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológico - Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz. O objetivo é refletir sobre a produção e circulação de documentos e informações em Bio-Manguinhos durante a emergência sanitária de covid-19, com foco nos desafios relativos à gestão documental. A metodologia utilizou como insumo teórico conceitos dos campos da ciência da informação, arquivologia e administração, além de informações provenientes de entrevistas e pesquisa em fontes documentais. Os resultados indicam que a estrutura utilizada no projeto da vacina foi insuficiente para atender às demandas da gestão documental com base nos métodos e técnicas arquivísticas. Ao mesmo tempo, dada a aceleração da transformação digital no ambiente institucional, o modelo clássico e linear de ciclo vital dos documentos também é questionado, possibilitando que modelos alternativos, como o Records Continuum, sejam considerados como possíveis abordagens teórico-metodológicas. As conclusões apontam que a pandemia alterou processos de trabalho e ampliou de forma significativa a produção e gestão de documentos, especialmente no que diz respeito aos documentos digitais. No âmbito institucional, ela confirmou um descompasso entre as políticas, programas e serviços de gestão de documentos e arquivos em vigor, e seu conhecimento e adoção por parte de unidades, setores, grupos e projetos.

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Biografia do Autor

Paulo Roberto Elian dos Santos, Casa de Oswaldo Cruz/ Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Doutor em história pela USP, é pesquisador do Departamento de Arquivo e Documentação (DAD) da Casa de Oswaldo Cruz / Fundação Oswaldo Cruz. Formado em história pela PUC-Rio, possui experiência nas áreas de arquivologia e história com passagens pelo Arquivo Nacional e Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, onde foi diretor na década de 1990. É professor permanente do Programa de Pós-graduação em Preservação e Gestão do Patrimônio Cultural das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. Entre 2012 e 2025, foi professor permanente do Programa de Pós-graduação em Gestão de Documentos e Arquivos (PPGARQ) da UNIRIO. É líder do Grupo de Pesquisa 'Acervos e memória da ciência e tecnologia em saúde'. Publicou livros, artigos e outros trabalhos sobre os seguintes temas: arquivos pessoais de cientistas; gestão de documentos e arquivos de instituições de ciência e saúde; arquivos de laboratório; arquivos e instituições de memória; ciência aberta, arquivos e gestão de dados de pesquisa, e história da Arquivologia no Brasil. Coordenou a comissão que formulou a Política de Memória Institucional da Fiocruz (2020). Foi diretor da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz entre 2013 e 2021. É sócio regular da Asociación Latinoamericana de Archivos (ALA) e integra o Grupo de Trabalho para a História da Arquivologia na Iberoamerica (GTHAI)

Luciana Quillet Heymann, Casa de Oswaldo Cruz/ Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Bacharel e licenciada em História (UFRJ), mestre em Antropologia Social (Museu Nacional/UFRJ) e doutora em Sociologia (IUPERJ). Pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz da Fundação Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), professora e atual coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Preservação e Gestão do Patrimônio Cultural das Ciências e da Saúde (Fiocruz). É editora associada da seção Fontes da revista História, Ciências, Saúde - Manguinhos, da Casa de Oswaldo Cruz. Membro do Fórum de Ciência Aberta da Fiocruz e do Núcleo de Ciência Aberta da COC. Foi vice-presidente da Associação Brasileira de História Oral (ABHO) e editora da revista História Oral (2016-2018). Integra o grupo de pesquisa do CNPq "Acervos e memória da ciência e da tecnologia em saúde". Desenvolve pesquisas no campo da história e da sociologia da memória, com especial atenção para os seguintes temas: arquivos pessoais, instituições de memória, arquivos e memórias da ciência e da saúde, e políticas públicas de memória e patrimônio.

Aline Lopes de Lacerda, Casa de Oswaldo Cruz/ Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Possui graduação em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1986), mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1998) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (2008). É pesquisadora do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/COC/Fiocruz, professora do Programa de Pós-graduação em Preservação e Gestão do Patrimônio Cultural das Ciências e da Saúde/PPGPAT/COC e, desde 2021, assessora técnica da Vice Direção de Patrimônio Cultural e Divulgação Científica da Casa de Oswaldo Cruz. É especialista no tratamento arquivístico de documentos fotográficos de valor permanente, com experiência nas áreas de História e Arquivologia, ênfase em Fotografia e História, e Fotografia e Arquivos, com dissertação sobre Fotografia e Política e tese sobre Fotografia em Arquivos.

André Felipe Paiva dos Santos, Casa de Oswaldo Cruz/ Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Arquivista e pesquisador. Mestre em Ciência da Informação pelo convênio entre o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGCI IBICT/ECO-UFRJ) (2019). Bacharel em Museologia (2016) e Arquivologia (2021) pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Servidor público federal concursado (Arquivista) lotado no Sistema de Arquivos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (SIARQ/UFRJ) e atuando no Núcleo de Pesquisa e Documentação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da mesma universidade (NPD/FAU/UFRJ). Bolsista do Programa de Incentivo ao Desenvolvimento Institucional da Fundação Oswaldo Cruz (PIDI - Fiotec/Fiocruz), atuando no projeto "Emergência sanitária, arquivos e memória: reflexões teóricas, desafios institucionais e inovação" (2022-2025). Realizador audiovisual, dirigiu e produziu o curta-metragem "Entre o trem e a plataforma", filme vencedor do prêmio de melhor filme pela categoria júri popular durante a Mostra Lanterna Mágica 2022, do 8 Festival Internacional de Cinema de Arquivo, promovido pelo Arquivo Nacional. Colaborador voluntário no Laboratório Multidimensional de Estudos em Cultura Documental, Religião e Movimentos Sociais (CDOC-ARREMOS), da UNIRIO. Interessa-se sobre os seguintes temas: difusão em arquivos; gestão do conhecimento e da informação; gestão de documentos; arquivos permanentes; cinema de arquivo; arquivos e direitos humanos; arquivos e história da ciência; gestão de coleções museológicas; conservação preventiva de acervos

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Publicado

2026-04-13

Como Citar

SANTOS, Paulo Roberto Elian dos; HEYMANN, Luciana Quillet; LACERDA, Aline Lopes de; SANTOS, André Felipe Paiva dos. Arquivos e emergência sanitária: uma análise do projeto de encomenda tecnológica da vacina Oxford/AstraZeneca pela Fundação Oswaldo Cruz. Em Questão, Porto Alegre, v. 32, 2026. DOI: 10.1590/1808-5245.32.148678. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/148678. Acesso em: 15 set. 2026.

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