Influenciadoras mirins e a exploração comercial da infância

lacunas regulatórias no Brasil

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.19132/1807-8583.57.147689

Palabras clave:

publicidade infantil, influenciadores mirins, cosméticos, regulação digital, análise de conteúdo

Resumen

A publicidade digital voltada ao público infantil impõe novos desafios à regulação brasileira, especialmente diante da atuação de influenciadores mirins em redes sociais como o Instagram. Este artigo analisa 38 postagens patrocinadas por três influenciadoras com menos de 12 anos para identificar padrões discursivos, formatos comunicacionais e a ausência de sinalização comercial adequada. A escolha por perfis femininos revela como o mercado associa a infância feminina à vaidade e ao consumo de produtos de beleza, reforçando estereótipos de gênero e contribuindo para a adultização precoce. Com base na análise de conteúdo de Bardin e Krippendorff, o estudo demonstra como as estratégias de comunicação exploram a vulnerabilidade infantil, contornando marcos legais como o Código de Defesa do Consumidor, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Resolução n. 163/2014 do Conanda. Ao problematizar os vínculos comerciais ocultos e a naturalização do consumo precoce de cosméticos, o trabalho conclui pela necessidade urgente de regulamentação específica para a atuação desses influenciadores, de maior responsabilização das plataformas digitais e de campanhas de educação midiática. A comparação com experiências legislativas internacionais, como as da França, reforça a urgência de diretrizes claras e efetivas para a proteção dos direitos da infância no ambiente digital.

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Biografía del autor/a

Raquel Marques Carriço Ferreira, Universidade Federal de Sergipe

Raquel Marques Carriço Ferreira é Professora Associada na Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde atua na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, tendo exercido os cargos de coordenação adjunta (2021-2022) e coordenação (2023-2024). É graduada em Publicidade e Propaganda, mestre pela Universidade Metodista de São Paulo (2003), doutora pela Universidade Nova de Lisboa (2011), com período sanduíche na Universidade de Leeds, Inglaterra, e pós-doutora pelo ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa (2017).Entre 2015 e 2017, coordenou o curso de graduação de Publicidade e foi chefe de departamento, desempenhando papel fundamental no fortalecimento das atividades acadêmicas e institucionais. Suas pesquisas concentram-se em Estudos de Recepção e Comunicação e Saúde, com foco nas interações entre os públicos e Meios de Comunicação. Seus trabalhos abordam a comunicação de risco, campanhas de saúde pública, promoção do autocuidado, a representação de saúde e doença em narrativas midiáticas, bem como o comportamento da audiência diante das mensagens nas plataformas digitais. É autora e organizadora de três livros publicados em 2015, 2019 e 2025, todos selecionados por editais com conselho editorial, além de uma vasta produção acadêmica em artigos e capítulos de livros. Coordena os grupos de pesquisa "RecepCom", voltado para o Estudo das dinâmicas de produção e recepção dos conteúdos midiáticos, e "Saúde em Diálogo", que investiga estratégias de comunicação no contexto da saúde, incluindo o impacto de campanhas públicas, o engajamento de populações vulneráveis e o papel das plataformas digitais na promoção da saúde. Sua atuação acadêmica destaca-se por integrar os campos da "recepção midiática" e da "comunicação e saúde", contribuindo para a compreensão das relações entre mídia, públicos e sociedade em contextos contemporâneos.

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Publicado

2025-11-04

Cómo citar

ANDRADE, Anna Lúcya; FERREIRA, Raquel Marques Carriço. Influenciadoras mirins e a exploração comercial da infância: lacunas regulatórias no Brasil . Intexto, Porto Alegre, n. 57, 2025. DOI: 10.19132/1807-8583.57.147689. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/intexto/article/view/147689. Acesso em: 27 ago. 2026.

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