Produção de verdades e circulação de sentidos na controvérsia alimentos naturais versus ultraprocessados
DOI:
https://doi.org/10.22456/1807-8583.151775Palavras-chave:
consumo alimentar, Guia alimentar para a população brasileira, saber-poder, rarefações discursivas, análise de discurso foucaultianaResumo
Abordamos neste artigo as disputas discursivas presentes na controvérsia alimentos naturais versus ultraprocessados, tendo como marco inicial a segunda edição do Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde, de 2014. Mobilizamos especialmente preceitos da análise de discurso foucaultiana, como o conceito de rarefações discursivas, para investigarmos a seguinte questão: como se desenvolvem as relações de força e as disputas de produção de verdades e circulação de sentidos na referida controvérsia? O corpus é composto por entrevistas com representantes de entidades pró e contra alimentos ultraprocessados. Os procedimentos analíticos englobam o exame dos principais enunciados coletados nas falas dos oito entrevistados, a identificação das rarefações discursivas contidas nesses enunciados e a análise das linhas de força nas disputas de produção de verdades, da circulação de sentidos e dos saberes atrelados ao exercício de poderes. Quanto aos resultados, observamos que ambos os lados da controvérsia se valem de rarefações discursivas na tentativa de dominar o acontecimento aleatório do discurso, engendrando saberes e poderes nas lógicas do consumo alimentar dos brasileiros. Outros achados de pesquisa englobam os enunciados dos defensores dos alimentos ultraprocessados que tendem a despolitizar o debate, enfatizando aspectos de nutrição e higiene; ao contrário, as declarações em favor dos alimentos naturais destacam enunciados sobre a dimensão política da alimentação e o papel das políticas públicas, como o Guia Alimentar para a População Brasileira – referência para outros guias sobre nutrição populacional.
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