A cobertura rotineira de modalidades esportivas de mulheres em veículos de comunicação brasileiros
DOI:
https://doi.org/10.19132/1807-8583.57.145320Palavras-chave:
jornalismo esportivo, esporte feminino, esporte de mulheres, atletas mulheresResumo
Este artigo analisa 402 textos sobre modalidades esportivas femininas publicados em sete veículos de mídia brasileiros no ano de 2022. Ainda que vários estudos já tenham analisado as formas com que mulheres atletas são representadas na mídia, nosso trabalho busca preencher duas lacunas importantes: analisar a cobertura regular das modalidades, evitando assim trabalhar com megaeventos quando é sabido que o nível de visibilidade dos esportes de mulheres é incomum; e analisar o jornalismo a partir de categorias típicas dos estudos do jornalismo, que muitas vezes não são levadas em conta quando a mídia esportiva é analisada por pesquisadoras/es de outras áreas do conhecimento. Adotamos uma estratégia amostral estratificada proporcional a partir de uma coleta de 3.695 matérias publicadas nos primeiros seis meses de 2022. Utilizamos técnicas de análise de conteúdo e apresentamos neste artigo os resultados encontrados para sete categorias que olham especificamente para o texto jornalístico. Alguns de nossos achados são: há um crescimento de atenção e uma aproximação das características da cobertura a das modalidades masculinas, incluindo temas, enquadramentos e uso de fontes. A aproximação é paradoxal porque revela um esforço de acompanhamento cotidiano das modalidades pelos veículos, mas também uma dinâmica de despolitização. Outro achado importante é que mulheres jornalistas esportivas estão perdendo espaço na cobertura rotineira das modalidades femininas. A análise aqui apresentada faz parte de série histórica cujo objetivo é acompanhar e comparar a forma como o jornalismo no Brasil tem coberto as mulheres do esporte ao longo dos anos. Os dados de 2022 são contrastados com os dados da mesma pesquisa de 2020 e com outros estudos similares já publicados.
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