Entre sentidos e fronteiras: o cabelo e a negritude de negros/as de pele clara
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-152X.147546Resumo
Este artigo contribui com o campo das relações étnico-raciais em diálogo direto com o debate de miscigenação e negritude. Para tal, parte-se das análises de entrevistas com pessoas negras de pele clara, visando compreender as interfaces da construção de negritude em corpos, lidos como miscigenados, através das suas relações, usos e sentidos da estética nomeada como negra. O trabalho focou nas estratégias de auto apresentação relacionadas ao cabelo, para investigar o campo da estética corporal enquanto discursividade política atrelada à identificação e positivação da negritude entre pessoas negras de pele clara. Notamos que o processo de transição capilar, o uso de tranças e turbantes atuam na materialidade do corpo enquanto respostas estéticas e performáticas frente ao racismo discursivo, cujo movimento aproxima os/as negros/as de pele clara de sua negritude, impactando positivamente nos processos de subjetivação, sobretudo, na autoestima. Já que, o embranquecimento opera como uma artimanha colonial na experiência racial deste grupo, por isso destacamos neste trabalho narrativas disruptivas de pessoas negras de pele clara via estética frente à violência colonial do mundo branco. Ou seja, essas produções estéticas capilares são elementos que potencializam o processo de tornar-se negro/a, ressaltando a importância da relação com o cabelo para a constituição da identidade negra positivada.
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