Tempo e historicidade em narrativas acadêmicas sobre informação e Ciência da Informação
DOI:
https://doi.org/10.1590/1808-5245.31.146668Palavras-chave:
epistemologia da ciência da informação, historiografia, historicidade, temporalidade, presentismoResumo
Este artigo tem como objetivo compreender as configurações do tempo nas mais diversas narrativas sobre informação e Ciência da Informação, com foco em textos acadêmicos que procuraram compreender os limites e horizontes desses conceitos ao longo da segunda metade do século XX e início do XXI. O percurso metodológico baseou-se na análise do conteúdo de trabalhos produzidos por autores diversificados em perspectivas e bibliograficamente relevantes do campo – como Harold Borko, Alexander Michailov, Jesse Shera, Tefko Saracevic, Rafael Capurro, Michael Buckland, Bernd Frohmann, Birger Hjørland, entre outros –, organizados em três vertentes: produções com abordagem crítica quanto à desvalorização do passado nas concepções teórico-epistemológicas da disciplina; publicações que trataram explicitamente da questão temporal; e textos fundacionais que, embora não mencionassem diretamente o tema da temporalidade, a mobilizavam de forma implícita. A investigação demonstra que, não obstante exista uma dimensão histórica nessas reflexões que buscaram estabelecer a Ciência da Informação como um campo científico autônomo, sua análise aprofundada é frequentemente preterida em função da urgência em compreender a realidade imediata, gerando um presentismo que subordina o passado ao presente. Conclui-se, portanto, que temos uma tradição de reflexões teóricas que incorporam em suas narrativas uma teoria do progresso pouco reflexiva, postergando para um futuro ideal as respostas a questões teórico-epistemológicas colocadas como fundamentais. Propõe-se, assim, a incorporação de outras perspectivas de tempo nas produções acadêmicas da área, com menor ansiedade diante de supostas transformações radicais, maior comprometimento presente com a construção da disciplina, além de uma consciência autocrítica sobre nosso espaço de experiência, que necessariamente comporta múltiplas camadas temporais.
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