Encarceramento massivo, ordem racial colonial e ideologia neoliberal no Brasil
Resumo
O encarceramento massivo de pessoas consiste numa realidade marcante no Brasil do século XIX, que já ocupa a terceira posição mundial. Esse complexo prisional é alimentado por um sistema de justiça criminal que reafirma as hierarquias de classe e raça impostas na modernidade. O sistema funciona como um meio de gestão da pobreza e reiteração de privilégios raciais. A punição é seletiva e direcionada a neutralizar os vulnerabilizados pelo capitalismo global, fomentando a própria criminalidade que supostamente deveria conter. Para compreender esse fenômeno, parte-se da seguinte questão: De que maneira os vários processos culturais de negociação e imposição de significado se entrelaçam para tecer uma narrativa de justificação e necessidade da prisão, que é continuamente readaptada e atualizada conforme as necessidades do momento? A abordagem é circunscrita à realidade brasileira, que deve ser compreendida a partir das suas especificidades situadas. Utiliza-se a técnica da revisão bibliográfica conectada com dados secundários sobre o perfil da massa carcerária brasileira, adotando-se o método dedutivo de abordagem. A pesquisa conclui que o grande encarceramento e a ordem racial colonial estão entrelaçados e são justificados pela ideologia neoliberal, o que contribui de forma decisiva para a sua aceitação pela população no contexto brasileiro contemporâneo.
Palavras-chave: Encarceramento massivo; hierarquia racial; ideologia neoliberal; criminologia cultural.
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