“Você é o que Google diz que você é”: a vida editável, entre controle e espetáculo
DOI:
https://doi.org/10.19132/1807-8583201842.214-231Palabras clave:
Memória. Esquecimento. Internet. Subjetividade. Visibilidade.Resumen
Este artigo retoma o debate acerca do “direito ao esquecimento” que alguns usuários da internet solicitam a buscadores como Google e Yahoo. O que se pede, nesses casos, é que sejam apagados certos dados pessoais referidos a situações do passado que, embora sejam verdadeiros, o demandante considera que prejudicam a sua reputação. As discussões em torno deste assunto parecem sugerir que estão se consumando algumas transformações importantes nos modos como nos relacionamos com as lembranças próprias e alheias, abrindo o horizonte (moral e legal) para uma “memória editável”, cujo critério de veracidade reside na exposição ao olhar dos outros. Trata-se de uma reflexão ensaística que propõe uma perspectiva genealógica sobre o fenômeno, em diálogo com autores fundamentais dos séculos XIX e XX, tais como Benjamin, Bergson, Borges, Debord, Deleuze, Foucault, Freud e Nietzsche.
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