A viagem, ou as ilusões da comunicação
DOI:
https://doi.org/10.19132/1807-8583201740.180-195Palabras clave:
Viagem. Exploração. Turismo. Mimetismo. Enraizamento.Resumen
Na França, e para além dela, viajar se tornou atualmente objeto de tamanho interesse que a viagem já não se trata mais de um fenômeno da moda, mas constitui um dos elementos fundamentais do comportamento contemporâneo. As razões levantadas pelos incontáveis nômades ocasionais pertencem ao registro da comunicação: ir ao encontro do Outro, dizem eles, responde a uma grande preocupação com a cultura e a humanização. Esta visão reconfortante pode e deve nos satisfazer? Em uma célebre diatribe, o antropólogo Claude Levi-Strauss criticou esta grande obsessão com a transumância. O filósofo Jean Brun, por sua vez, desenvolveu uma interpretação particularmente redutora sobre os vagabundos do Ocidente, atormentados pela finitude fundamental de seu estar-no-mundo. Certamente, existiram e existem viajantes verdadeiramente abertos ao desejo do desconhecido e expostos aos riscos concomitantes a ele. E é possível, como sugere o diário de viagem de Heidegger, que a viagem autêntica seja aquela que, mesmo de maneira fugaz, nos coloca de fronte não a uma perambulação infinita, mas a um recentramento ontológico.
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