Palavras que ferem
análise terminológico-discursiva da Aids na imprensa brasileira nos anos de 1980
DOI:
https://doi.org/10.1590/1808-5245.32.149951Palabras clave:
Aids, terminologia, organização do conhecimento, discurso jornalístico, estigma socialResumen
O estudo analisa a cobertura jornalística da Aids no Brasil durante a década de 1980, destacando o papel da linguagem na produção de estigmas sociais. Nesse contexto, o desconhecimento científico inicial, aliado ao sensacionalismo midiático, favoreceu a associação da doença à homossexualidade masculina. Diante dessa constatação, buscou-se mapear e modelar, sob perspectiva terminológico-discursiva e da Organização do Conhecimento, o repertório de termos estigmatizantes associados à Aids na imprensa brasileira dos anos 1980, de modo a explicitar uma estrutura categorial passível de integração a vocabulários controlados e a estratégias de recuperação da informação em acervos hemerográficos. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza documental e bibliográfica, fundamentada na Teoria Comunicativa da Terminologia e na Análise Crítica do Discurso. O corpus foi constituído a partir de levantamento sistemático na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, abrangendo matérias publicadas entre 1980 e 1989 em sete jornais brasileiros de circulação nacional e regional. Como complemento, foram consultados relatórios oficiais do Centers for Disease Control, a fim de contextualizar a emergência da síndrome no cenário internacional. Os resultados oferecem subsídios para a Organização do Conhecimento, ao sistematizar um repertório terminológico passível de integração a vocabulários controlados e instrumentos de recuperação da informação. Conclui-se que a imprensa exerceu papel intenso na reprodução de preconceitos e na consolidação de estigmas, dificultando a formulação de respostas em saúde pública pautadas na equidade e no rigor científico. A análise terminológica, articulada à perspectiva discursiva, evidencia a relevância da informação jornalística na construção social da Aids.
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