Retribuições e trajetórias
motivações de filiados antigos e novos no Partido dos Trabalhadores
DOI:
https://doi.org/10.22456/1982-5269.152898Resumo
Este artigo investiga as trajetórias dos militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) para compreender sua resiliência e manutenção como principal partido do sistema político brasileiro. Ao contrário de estudos focados apenas na perspectiva eleitoral, o artigo utiliza a Sociologia do Militantismo para analisar as relações entre filiados antigos e novos e de desfiliados e o partido. A hipótese central sugere que aqueles que se filiaram há mais tempo o fizeram por alinhamento ao PT motivados por um projeto coletivo, enquanto os novos buscaram incentivos mais individuais ou materiais. As entrevistas realizadas em 2015 demonstram que os filiados históricos, geralmente com mais experiência e tempo livre, apresentam um engajamento mais intenso. Em contraste, novos militantes, especialmente aqueles de maior escolaridade, enfrentam dificuldades para manter a militância devido às limitações de tempo e estabilidade financeira. Com relação ao perfil dos desfiliados, destaca-se que a carreira partidária está relacionada à oferta de retribuições, sejam elas simbólicas ou materiais, mediadas pela posição e habilidades dos filiados. De modo geral, os resultados indicam que a pesquisa oferece uma visão sobre o PT e explora a interação entre socialização, militância e as estruturas de oportunidades políticas, contribuindo para uma análise mais completa da militância no contexto brasileiro.
PALAVRAS-CHAVE: Sociologia do Militantismo; Partido dos Trabalhadores (PT); Filiação Partidária; Socialização Política; Retribuições Partidárias.
