Entre sobreviver e habitar: subjetividade e pertencimento em cidades-dormitório — reflexões psicológicas sobre exclusão, território e processos de subjetivação

Autores

  • Maricel da Silva Espina Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

DOI:

https://doi.org/10.22456/2238-152X.153980

Resumo

Este ensaio teórico, desenvolvido como análise conceitual crítica, discute os efeitos subjetivos de viver em cidades-dormitório, tomando como eixo a tensão entre sobreviver e habitar. Analisa-se como formas de urbanização que organizam determinados territórios como lugares de retorno e reprodução da força de trabalho fragilizam o vínculo entre sujeito e espaço, produzindo experiências de desenraizamento, não pertencimento e apagamento simbólico. Articulando contribuições da Psicologia Ambiental, da Psicologia Analítica, da Ecopsicologia e da Psicologia Social Crítica, o texto compreende o habitar como experiência relacional, simbólica e ético-política, atravessada por desigualdades raciais, de gênero e de classe. A partir dessa articulação teórica, são propostos dois operadores analíticos: o Paradoxo do Habitar, que nomeia a condição de possuir um lugar para morar sem conseguir constituí-lo como território existencial, e a Subjetivação Resistente, que descreve microgestos de vínculo, cuidado e enraizamento produzidos em contextos marcados pela exclusão. Argumentase que, embora tais formas de resistência sustentem modos possíveis de existir, seus alcances são limitados e não substituem a responsabilidade coletiva pela construção de territórios capazes de acolher, reconhecer e permitir o pertencimento. Ao recolocar o sujeito no centro da reflexão sobre as cidades-dormitório, o ensaio afirma o pertencimento como dimensão fundamental da existência humana, indicando que as desigualdades inscritas no território reverberam como feridas simbólicas, ainda que persistam frestas cotidianas de habitar.

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Biografia do Autor

Maricel da Silva Espina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Especialista em Psicologia Social e Institucional, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Psicóloga e arteterapeuta. Pesquisadora independente desenvolve estudos nas áreas de Psicologia Social, Saúde do Trabalhador, Políticas Públicas, Subjetividade, Território e Processos de Cuidado.

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Publicado

2026-10-05

Como Citar

da Silva Espina, M. (2026). Entre sobreviver e habitar: subjetividade e pertencimento em cidades-dormitório — reflexões psicológicas sobre exclusão, território e processos de subjetivação. Revista Polis E Psique, 16, e026028. https://doi.org/10.22456/2238-152X.153980

Edição

Seção

Artigos