Entre sobreviver e habitar: subjetividade e pertencimento em cidades-dormitório — reflexões psicológicas sobre exclusão, território e processos de subjetivação
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-152X.153980Resumo
Este ensaio teórico, desenvolvido como análise conceitual crítica, discute os efeitos subjetivos de viver em cidades-dormitório, tomando como eixo a tensão entre sobreviver e habitar. Analisa-se como formas de urbanização que organizam determinados territórios como lugares de retorno e reprodução da força de trabalho fragilizam o vínculo entre sujeito e espaço, produzindo experiências de desenraizamento, não pertencimento e apagamento simbólico. Articulando contribuições da Psicologia Ambiental, da Psicologia Analítica, da Ecopsicologia e da Psicologia Social Crítica, o texto compreende o habitar como experiência relacional, simbólica e ético-política, atravessada por desigualdades raciais, de gênero e de classe. A partir dessa articulação teórica, são propostos dois operadores analíticos: o Paradoxo do Habitar, que nomeia a condição de possuir um lugar para morar sem conseguir constituí-lo como território existencial, e a Subjetivação Resistente, que descreve microgestos de vínculo, cuidado e enraizamento produzidos em contextos marcados pela exclusão. Argumentase que, embora tais formas de resistência sustentem modos possíveis de existir, seus alcances são limitados e não substituem a responsabilidade coletiva pela construção de territórios capazes de acolher, reconhecer e permitir o pertencimento. Ao recolocar o sujeito no centro da reflexão sobre as cidades-dormitório, o ensaio afirma o pertencimento como dimensão fundamental da existência humana, indicando que as desigualdades inscritas no território reverberam como feridas simbólicas, ainda que persistam frestas cotidianas de habitar.
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