O que as águas não levam? Inspirações ecofeministas decoloniais para coexistir em tempos de crise
DOI:
https://doi.org/10.22456/2238-152X.149428Resumo
As inundações ocorridas no Rio Grande do Sul, Brasil, em 2024, nos convocam a reconsiderar os modos como organizamos a vida coletiva e construímos diálogos na diversidade. A partir do engajamento em espaços de acolhimento para pessoas afetadas pelo desastre, este ensaio examina criticamente as relacionalidades entre humanos e não-humanos no contexto das adversidades provocadas por uma catástrofe socioambiental. Destacamos nuances fundamentais da crise político-ecológica contemporânea. Nossa análise baseia-se em registros de diário de campo, servindo como fundamentação empírica para as reflexões apresentadas. Por meio da Psicologia Social Crítica e do Ecofeminismo Decolonial, exploramos possibilidades de reimaginar formas de (co)existência, relacionalidade e convivialidade. Como caminhos para transformação, defendemos o investimento no entrelaçamento de subjetividades, coletividades e espaços comuns, onde a esperança, a resistência e a busca por dignidade são cultivadas nas práticas comunitárias, promovendo alternativas de existência que desestabilizam as bases epistêmicas e materiais da dominação capitalista e colonial.
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