Memória social, informação e identidade em narrativas migrantes
DOI:
https://doi.org/10.1590/1808-5245.32.149271Palabras clave:
memória social, discursos identitários, narrativas de si, migração venezuelana, práticas informacionaisResumen
Este artigo analisa o modo como narrativas migrantes venezuelanas mobilizam memórias sociais e práticas informacionais para preservar e reconstruir referentes identitários em contextos de deslocamento forçado. A pesquisa adota o método biográfico, com base em análise narrativa de entrevistas em profundidade, realizadas com três imigrantes que relataram suas trajetórias desde a Venezuela até Belo Horizonte. Busca-se compreender como essas narrativas de si são atravessadas por experiências de deslocamentos, dor, pertencimento e resistência. Tendo por referência os estudos de Halbwachs, Bosi, Ricoeur e Marteleto, evidencia-se que a memória não é apenas um repositório de lembranças, mas um conjunto de práticas sociais e simbólicas que reorganiza experiências vividas, permitindo aos imigrantes reinscreverem-se em novos territórios geográficos e culturais. Nesse processo, o ato de narrar constitui prática informacional de pertencimento por meio do qual os imigrantes produzem sentidos sobre suas trajetórias e constroem imagens de coragem, dignidade no trabalho e resistência frente à exclusão. Ao articular memória, narrativa e informação, o estudo destaca a dimensão simbólica das práticas discursivas dos imigrantes, revelando como, em meio a desigualdades e exclusões, esses sujeitos constroem pertencimento e reivindicam reconhecimento social.
Descargas
Citas
ALBERTI, Verena. Ouvir contar: textos em história oral. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2004.
ALTO COMISSARIADO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA REFUGIADOS (ACNUR). Emergências - Venezuela. Genebra: ACNUR, 2025. Disponível em: https://www.acnur.org/br/emergencias/venezuela. Acesso em: 16 mar. 2026.
AMADO, Janaína; FERREIRA, Marieta Moraes (org.). Usos e abusos da história oral. 8. ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2006.
ARAÚJO, Carlos Alberto Ávila. O que são práticas informacionais? Revista Informação em Pauta, Fortaleza, v. 2, n. esp., p. 217-236, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.36517/ip.v2iespecial.20655. Acesso em: 16 mar. 2026.
ASSMANN, Jan. Communicative and cultural memory. In: ERLL, Astrid; NÜNNING, Ansgar (org.). Cultural memory studies: an international and interdisciplinary handbook. Berlin: De Gruyter, 2008. p. 109-118.
BERTAUX, Daniel. Narrativas de vida: a pesquisa e seus métodos. 2. ed. Natal: EDUFRN, 2010.
BOSI, Ecléa. Memória e sociedade: lembranças de velhos 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
BOSI, Ecléa. O tempo vivo da memória: ensaios de psicologia social. São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.
BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 6. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.
BOURDIEU, Pierre. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: Ed. UNESP, 2004.
BRUNER, Jerome. Fabricando histórias: direito, literatura, vida. São Paulo: Letra e Voz, 2014.
CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces. 2. ed. São Paulo: Cultrix, 2007.
DESCHAMPS, Jean-Claude; MOLINER, Pascal. A identidade em psicologia social: dos processos identitários às representações sociais. Petrópolis: Vozes, 2009.
FOUCAULT, Michel. Counter-memory: the philosophy of difference. In: BOUCHARD, Donald F. (ed.). Language, counter-memory, practice: selected essays and interviews. New York: Cornell University Press, 1995. p. 111-196.
GERBNER, George. The stories we tell. Peace Review, London, v. 11, n. 1, p. 9-15, 1999. Disponível em: https://doi.org/10.1080/10402659908426225. Acesso em: 16 mar. 2026.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.
HALBWACHS, Maurice. Les cadres sociaux de la mémoire. Paris: Albin Michel, 1925.
HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2003.
MANGUEL, Alberto. A cidade das palavras: as histórias que contamos para saber quem somos. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
MARTELETO, Regina. Cultura informacional: construindo o objeto informacional pelo emprego dos conceitos de imaginário, instituição e campo social. Ciência da Informação, Brasília, v. 24, n. 1, p. 89-93, 1995. Disponível em: https://doi.org/10.18225/ci.inf.v24i1.613. Acesso em: 16 mar. 2026.
MARTINS, Ana Amélia Lage. Informação e movimentos sociais sob a perspectiva do campo social da Ciência da Informação: uma análise a partir da Marcha das Vadias. 2015. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Escola de Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2015.
MEDINA, Cremilda. A arte de tecer o presente: narrativa e cotidiano. São Paulo: Summus, 2003.
POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos históricos, Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989.
RICOEUR, Paul. O si mesmo como um outro. Campinas: Papirus, 1991.
RICOEUR, Paul. Tempo e narrativa. Tomo III. Campinas: Papirus, 1997.
SAYAD, Abdelmalek. Imigração ou os paradoxos da alteridade. São Paulo: Edusp, 1998.
SILVEIRA, Fabrício José Nascimento. Biblioteca pública e identidade: percepções intersubjetivas enraizadas em torno da Luiz de Bessaa. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 19, n. esp., p. 128-150, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1981-5344/2283. Acesso em: 16 mar. 2026.
THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna: teoria social crítica na era dos meios de comunicação em massa. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.
WEIL, Simone. A condição operária e outros estudos sobre a opressão. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: SILVA, Tadeu Tomas; HALL, Stuart; WOODWARD, Kathryn (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos Estudos Culturais. 15. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. p. 7-72.
Descargas
Publicado
Cómo citar
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2025 Uiara Lopes Miranda, Fabrício Jose Nascimento da Silveira

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Autores que publican en esta revista están de acuerdo con los siguientes términos:
Los autores mantienen los derechos autorales y ceden a la Revista el derecho de la primera publicación, con el trabajo licenciado bajo la Licencia Creative Commons Attribution (CC BY 4.0), que admite compartir el trabajo con reconocimiento de la autoria.
Los autores tienen autorización para asumir contratos adicionales en forma separada, para la distribución no exclusiva de la versión del trabajo publicada en esta Revista, como para publicar en repositorio institucional, con reconocimiento de autoria y publicación inicial en esta Revista.
Los artículos son de acceso abierto y gratuitos. Según la licencia, usted debe dar crédito de manera adecuada, brindar un enlace a la licencia, e indicar si se han realizado cambios. No puede aplicar términos legales ni medidas tecnológicas que restrinjan legalmente a otras a hacer cualquier uso permitido por la licencia.







