Quem vive de futuro é museu
regimes de visibilidade e a construção do porvir no campo museológico
DOI:
https://doi.org/10.1590/1808-5245.31.145711Palavras-chave:
museus e futuro, regimes de visibilidade, redes museais, alfabetização em futuros, museologia contemporâneaResumo
O artigo tem como objetivo analisar a crescente relação entre os museus e o futuro, investigando como instituições como o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, o Futurium, em Berlim, e o Museum of the Future, em Dubai, têm incorporado imagens do porvir em suas exposições e discursos. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa de natureza exploratória, fundamentada em revisão teórica e análise documental de materiais produzidos pelos museus analisados e por organismos internacionais. Os resultados indicam que, embora tradicionalmente associados à preservação do passado, os museus contemporâneos têm se tornado espaços de visibilidade do futuro, estruturando narrativas que alternam entre cenários catastróficos e visões utópicas. Desde o século XVIII, já se observam indícios de uma vinculação entre os museus e o porvir, que se intensifica no presente por meio de tendências como a globalização, o uso intensivo de tecnologias digitais e a articulação em redes internacionais dedicadas à antecipação. No entanto, o estudo também evidencia contradições nesse processo, ao mostrar como discursos sobre sustentabilidade e inovação podem ser mobilizados para legitimar interesses econômicos e dinâmicas de exclusão urbana. Conclui-se que os museus do futuro não apenas projetam possibilidades, mas também disputam sentidos sobre o tempo, revelando que a experiência contemporânea se estrutura na simultaneidade entre memória e antecipação, redefinindo a função social dos museus na atualidade.
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