Gestão Autônoma da Medicação: estratégia territorial de cogestão no cuidado

Elisa Zaneratto Rosa, Maria Cristina Gonçalves Vicentin, Camila Aleixo de Campos Avarca, Deborah Sereno

Resumo


A estratégia Gestão Autônoma da Medicação -Brasil tem experimentado diferentes modos de ampliação, tanto em relação aos contextos regionais quanto às modalidades de serviços (como Unidades Básicas de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras drogas). Neste texto apresentaremos a experiência de uma equipe que articula pesquisa, ensino e extensão num território sanitário do município de São Paulo, tendo como eixo de intervenção o cuidado em saúde mental e a GAM como estratégia. O Coletivo GAM, que reúne todas as equipes do território, tem evidenciado os principais efeitos da estratégia em sua força alterativa e formativa: sua dimensão crítica à medicalização; sua inclinação radical à Reforma em Saúde Mental e sua força política em relação às grupalidades e aos coletivos que aciona. Neste percurso, afirma-se como estratégia territorial e cogestionária de formação e cuidado em saúde mental, que põe no centro de sua experiência a participação do usuário.


Palavras-chave


Gestão Autônoma da Medicação; saúde mental; cogestão; grupalidade

Texto completo:

PDF

Referências


Basaglia, F. (1985). A instituição negada: relato de um hospital psiquiátrico. Rio de Janeiro: Graal.

Brant, L. C. & Minayo-Gomez, C. (2004). A transformação do sofrimento em adoecimento: do nascimento da clínica à psicodinâmica do trabalho. Ciência & Saúde Coletiva, 9(1), 213-223. https://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232004000100021

Caron, E. (2019). Experimentações intensivas: psicofármacos e produção de si no contemporâneo. Tese de Doutorado, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

Chasles, K. & Amaral, M. (2016). Alberto: protagonismo e autonomia no processo de cuidado. In Vicentin, M. C. G.; Trenche, M. C. B.; Kahhale, E. P.; &Almeida, I. S. (Orgs.).. Saúde Mental, Reabilitação e Atenção Básica: encontro entre Universidade e Serviços de Saúde. (pp. 156-164). São Paulo: Artgraph.

Conceição, M. R. e cols. (2015). Interferências criativas na relação ensino-serviço: itinerários de um Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde). Revista Interface, 19 9(1), 845-855.

Collins, P. H. (1991). Black feminist thought: knowledge, consciousness, and the politics of empowerment. New York: Routledge.

Dagognet F. (2012). A razão e os remédios. Rio de Janeiro: Forense.

Figueiredo, M. D., & Campos, G.W.S. (2014). O apoio Paideia como metodologia para processos de formação em saúde. Interface,(18)1, 931-43.

Foucault, M. (2010). Conversa com Michel Foucault. In Motta, M. B. (Org.). Ditos e Escritos (Vol. 6, pp. 289 -347) Ditos e Escritos VI. Repensar a Política. (A. L. P. Pessoa, Trad.). Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Foucault, M. (1998). O nascimento da clínica. Ed. Forense: Rio de Janeiro.

Foucault, M. (2010). Curso Hermenêutica do sujeito. São Paulo: Martins Fontes.

Haberland, R. e cols. (2017). . O fazer coletivo nas políticas de saúde da FÓ/Brasilândia (SP): fóruns, redes, grupalidades. Revista Distúrbios da Comunicação, 29(4), 793-808.

Instituto Sou da Paz. (2006). Projeto São Paulo em Paz. Diagnóstico da Situação de Violência: Distrito da Brasilândia. Prefeitura de São Paulo: São Paulo. Recuperado em 19 abril, 2019, de http://www.soudapaz.org/upload/pdf/diagn_stico_brasil_ndia_2006.pdf.

Kahhale, E. P. & Greco, T. M & Ribeiro, M. & Leal, B. M. M. L. & Linares, M. (2016). Análise dos Genogramas e Ecomapas na Experiência do PET-Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas da PUC-SP. In Vicentin, M. C. G.; Trenche, M. C. B.; Kahhale, E. P.; &Almeida, I. S. (Orgs.).. Saúde Mental, Reabilitação e Atenção Básica: encontro entre Universidade e Serviços de Saúde. (pp. 100-127). São Paulo: Artgraph.

Laval, C. (2018). Michel Foucault. O enigma da revolta. (Posfácio, pp. 102-142). São Paulo, N-1 edições.

Lobosque, A. M. (2007). Um desafio à formação: nem a fuga da teoria, nem a recusa da invenção. In Lobosque, A. M. (Org.). Caderno Saúde Mental. Encontro Nacional de Saúde Mental. (pp.33-44). Belo Horizonte: ESP-MG.

Lourau, R. (1993). René Lourau na UERJ: análise institucional e práticas de pesquisa. Rio de Janeiro: UERJ, 1993.

Moura, A. H. (2003). A Psicoterapia institucional e o clube dos saberes. São Paulo, Hucitec.

Oury, J. (2002). O Coletivo. São Paulo: Hucitec.

Onocko-Campos, R. T. O., Palombini, A. D. L., Silva, A. D. E., Passos, E., Leal, E. M., Serpa Júnior, O. D. D., ... & Arantes, R. L. (2012). Adaptação multicêntrica do guia para a gestão autônoma da medicação. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, 16, 967-980

Onocko-Campos, R. T., e cols. (2013). A Gestão Autônoma da Medicação: uma intervenção analisadora de serviços em saúde mental. Ciência & Saúde Coletiva, 18, 2889-2898.

Passos, E., e cols.. (2013a). Autonomia e cogestão na prática em saúde mental: o dispositivo da gestão autônoma da medicação (GAM). Aletheia, 41, 24-38. Recuperado em 03 junho, 2019, de http://pepsic.bvsalud.org/pdf/aletheia/n41/n41a03.pdf

Passos, E., e cols. (2013b). Estratégia cogestiva na pesquisa e na clínica em saúde mental. Ecos, Vol. 3, n.1, 2013, pp. 4-17. Recuperado em 01 junho, 2019, de http://www.periodicoshumanas.uff.br/ecos/article/view/1110/815

Prefeitura de São Paulo. (2010). Dados demográficos dos Distritos pertencentes às Subprefeituras. Secretaria Municipal das Subprefeituras: São Paulo. Recuperado em 10 jun, 2019, de https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/subprefeituras/dados_demograficos/index.php?p=12758%20.

Prefeitura de São Paulo. (2010). Índice de Necessidade em Saúde na Cidade de São Paulo. São Paulo: CEInfo. Recuperado em 13 abril, 2018, de https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/infsaude/INS_2010.pdf.

Prefeitura de São Paulo. (2019). Relação dos Estabelecimentos/Serviços da Secretaria Municipal da Saúde por Coordenadoria Regional de Saúde e Supervisão Técnica de Saúde. São Paulo: CEInfo. Recuperado em 10 junho, 2019, de https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/organizacao/Unid_Munic_Saude_Super.pdf.

Rancière, J. (2014). O ódio à democracia. São Paulo: Boitempo.

Rodrigues, S. E. (2014). Modulações de sentidos na experiência psicotrópica. Tese de Doutorado, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Departamento de Psicologia, Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil.

Rosa, E. Z. (2016). Por uma Reforma Psiquiátrica Antimanicomial: o papel estratégico da Atenção Básica para um projeto de transformação social. Tese de Doutorado, Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

Rotelli, F. (1998). A instituição inventada. (M. F. S. Nicácio, Trad.). Centro Studi e Ricerche per la Salute Mentale della Regione Friuli Venezia Giulia, 1, pp. 1-6. Recuperado em 10 de junho de 2019, de http://www.exclusion.net/images/pdf/47_bicoi_istituz.invent_po.pdf

Silva, M. V. O. (2003). O Movimento da Luta Antimanicomial e o Movimento dos Usuários e Familiares. In Conselho Federal de Psicologia (Org.). Loucura, Ética e Política: escritos militantes. (capítulo??, pp. ??). São Paulo: Casa do Psicólogo.

Silva, C. D. C. D. (2015b). Por uma filosofia do medicamento. Ciência & Saúde Coletiva, 20, 2813-2824.

Silva, G. D. S. (2015a). A gestão nas unidades básicas de saúde no município de São Paulo: a percepção dos trabalhadores. Dissertação (Mestrado em Serviços Social). Universidade Estadual Paulista. Faculdade de Ciências Humanas e Sociais.

Surjus, L. T. S. (Coord.). (2017). Projeto de pesquisa Observatório Internacional de práticas da Gestão Autônoma da Medicação: rede-escola colaborativa de produção de conhecimento, apoio e fomento. Observatório Internacional das Práticas GAM. Recuperado em 10 junho, 2019, dehttps://observatoriogam.files.wordpress.com/2017/11/projeto-em-portuguc3aas.pdf

Vicentin, M. C. G.; Almeida, I. S.; & Saes, D. (2016). O que os itinerários de saúde mental nos ensinam sobre o processo de trabalho em saúde: encontros entre pesquisa e assistência. In Vicentin, M. C. G.; Trenche, M. C. B.; Kahhale, E. P.; &Almeida, I. S. (Orgs.).. Saúde Mental, Reabilitação e Atenção Básica: encontro entre Universidade e Serviços de Saúde. (pp. 32-52). São Paulo: Artgraph.

Vicentin, M. C. G. (2019). Crianças e adolescentes nos circuitos da saúde e da justiça: tensões entre cuidado e segurança. Relatório final de pesquisa. CNPq (2016-2018). São Paulo: PUC-SP.




DOI: https://doi.org/10.22456/2238-152X.103447

logogoogle
Scientific Electronic Library Online     

           

 

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional

 

ISSN eletrônico: 2238-152X