Tecnicidade, teoria da informação e tradição no movimento zapatista de libertação nacional: das potências de um novo mundo (informacional) possível

Autores

  • Bianca Rihan Amorim PPGCI IBICT
  • Gustavo Silva Saldanha IBICT-UNIRIO

DOI:

https://doi.org/10.19132/1808-5245252.190-207

Palavras-chave:

Técnica, Informação, Simondon, Movimento Zapatista, Tecnomagia

Resumo

A partir de uma reflexão teórica com um aporte empírico de compreensão do mundo social, o trabalho procura colocar em jogo as questões que norteiam os polos da tecnofobia à tecnofilia, ou à pan-técnica, na contemporaneidade. Partindo centralmente da filosofia de Simondon, o eixo teórico visa a compreender uma noção de técnica orientada pela primazia dos encontros e para a infinidade da diversidade nos eventos de dentro e fora, que aparecem e desaparecem sucessiva e simultaneamente no plano informacional. Uma teoria simondoniana “da informação” nos abre as margens de composições capazes de produzir quaisquer configurações para os devires - potência geradora da vida, ou seja, a tessitura entre proximidades e afastamentos, matéria e energia que constantemente atravessam-se e atualizam-se nos esteios da individuação de humanos e não humanos. O eixo empírico encontra na experiência zapatista, ou seja, na produção de uma guerrilha autonômica, uma relação original e aberta, como a visão simondoniana da técnica, que não mantém o passado pré-capitalista nem as estruturas pré-modernas de forma intocável. Trata-se de reconhecer a tecnomagia como possibilidade de investigação no âmbito da interpenetração entre tecnologia e cosmovisões, um movimento teórico-social de uma comunidade em sua luta contra a dominação e contra a opressão institucionalizada.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Bianca Rihan Amorim, PPGCI IBICT

Graduada em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestra em história pelo Programa de Pós-Graduação em história da Universidade Federal Fluminense (PPGH-UFF), doutoranda em Ciência da Informação pelo convênio do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT)  e a Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Gustavo Silva Saldanha, IBICT-UNIRIO

Doutor em Ciência da Informação pelo PPGCI IBICT UFRJ; Mestre em Ciência da Informação pelo PPGCI ECI UFMG; Especialista em Filosofia Medieval pela Faculdade São Bento do Rio de Janeiro; Bacharel em Biblioteconomia pela ECI UFMG.

Referências

ALBAGLI, Sarita. Inovação no capitalismo cognitivo. In: SIQUEIRA, Mauricio; COCCO, Giuseppe (org.). Por uma política menor: arte, comum e multidão. Rio de Janeiro: Fundação Casa de Rui Barbosa, 2014. p. 211-224.

BELISÁRIO, Adriano. Tecnoxamanismo: por uma cibernética insurgente. Lugar Comum, [s.l.], v. 43, p. 265-280, 2015.

CAPURRO, Rafael. Intercultural Roboethics for a Robot Age. In.: NAKADA, Makoto; CAPURRO, Rafael; SATO, Koetsu. Critical review of information ethics and roboethics in East and West. Tsukuba: University of Tsukuba, 2017. p. 13-18.

CASSIRER, Ernst. A filosofia das formas simbólicas. Segunda parte: o pensamento mítico. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

DAMASCENO, Veronica. Notas sobre individuação intensiva em Simondon e Deleuze. O que nos faz pensar, [s.l.], v. 16, n. 21, p. 169-182, jul. 2007.

DELEUZE, Giles; GUARATTARI, Felix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34, 1997.

DERRIDA, Jacques. Gramatologia. São Paulo: Perspectiva, 2008.

FROHMANN, Bernd. Cyber ethics: bodies or bytes? The International Information & Library Review, [s.l.] n. 32, p. 423-435, 2000.

LATOUR, Bruno. A esperança de Pandora: ensaios sobre a realidade dos estudos científicos. Bauru: EDUSC, 2001.

MARQUES, Luis Antonio Barbosa Guerra. Democracia, Justiça, Liberdade: lições da Escuelita Zapatista. 2014. Dissertação (Mestrado em Sociologia) - Universidade de Brasília, Brasília, 2014.

NEVES, José. Seres humanos e objectos técnicos: a noção de “concretização” em Gilbert Simondon. Comunicação e Sociedade, [s.l.], v.12, p. 67-82, 2007.

NOVAES, Thiago. Tecnomagia: metareciclagem e rádios livres no front de uma guerra ontológica. Fórum Permanente, [s.l.], v. 2, n. 2, 2013.

POLANCO, Héctor Díaz. La Rebelión Zapatista y La Atonomía. México: Siglo XXI Editores, 2007.

PRECIADO, Beatriz. El feminismo no es un humanismo. El Estado Mental, Madrid, n. 5, nov. 2014.

SANTOS, Laymert Garcia. Demasiadamente pós-humano. Entrevista com Laymert Garcia dos Santos. Novos estudos, São Paulo, n. 72, p. 161-175, jul. 2005.

SIMONDON, Gilbert. El modo de existencia de los objetos técnicos. Buenos Aires: Prometeo Libros, 2008.

TADEU, Tomaz. Nós ciborgues: o corpo elétrico e a dissolução do humano. In: HARAWAY, Donna; KUNZRU, Hari; TADEU, Tomaz (orgs.). Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.

VIEIRA PINTO, Álvaro. O conceito de tecnologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005.

WIENER, Norbert. Cibernética e sociedade: o uso humano de seres humanos. 2. ed. São Paulo: Editora Cultrix, 1950.

Downloads

Publicado

2019-04-26

Como Citar

AMORIM, B. R.; SALDANHA, G. S. Tecnicidade, teoria da informação e tradição no movimento zapatista de libertação nacional: das potências de um novo mundo (informacional) possível. Em Questão, Porto Alegre, v. 25, n. 2, p. 190–207, 2019. DOI: 10.19132/1808-5245252.190-207. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/76703. Acesso em: 23 fev. 2024.

Edição

Seção

Artigo