Memória social, informação e identidade em narrativas migrantes
DOI:
https://doi.org/10.1590/1808-5245.32.149271Palavras-chave:
memória social, discursos identitários, narrativas de si, migração venezuelana, práticas informacionaisResumo
Este artigo analisa o modo como narrativas migrantes venezuelanas mobilizam memórias sociais e práticas informacionais para preservar e reconstruir referentes identitários em contextos de deslocamento forçado. A pesquisa adota o método biográfico, com base em análise narrativa de entrevistas em profundidade, realizadas com três imigrantes que relataram suas trajetórias desde a Venezuela até Belo Horizonte. Busca-se compreender como essas narrativas de si são atravessadas por experiências de deslocamentos, dor, pertencimento e resistência. Tendo por referência os estudos de Halbwachs, Bosi, Ricoeur e Marteleto, evidencia-se que a memória não é apenas um repositório de lembranças, mas um conjunto de práticas sociais e simbólicas que reorganiza experiências vividas, permitindo aos imigrantes reinscreverem-se em novos territórios geográficos e culturais. Nesse processo, o ato de narrar constitui prática informacional de pertencimento por meio do qual os imigrantes produzem sentidos sobre suas trajetórias e constroem imagens de coragem, dignidade no trabalho e resistência frente à exclusão. Ao articular memória, narrativa e informação, o estudo destaca a dimensão simbólica das práticas discursivas dos imigrantes, revelando como, em meio a desigualdades e exclusões, esses sujeitos constroem pertencimento e reivindicam reconhecimento social.
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