A crise da democracia liberal e a exclusão do antagonismo da política
DOI:
https://doi.org/10.1590/1807-0337/e143279Palavras-chave:
Teoria do Discurso, antagonismo, agonismo, democracia, crise da democracia liberalResumo
A emergência de discursos de extrema-direita em países com instituições democráticas consideradas estabilizadas ganha ressonância e respaldo eleitoral e representatividade nas instituições da democracia liberal, ao mesmo tempo em que questionam o próprio modelo democrático liberal em que emergiram e que lhes deram certo grau de legitimidade. Neste artigo, o objetivo central é o de abordar a relação entre democracia e antagonismo, com base na Teoria do Discurso de Laclau e Mouffe (2015), e apresentar uma reflexão acerca da estabilidade e da crise da democracia liberal dialogando com as visões institucionalistas e populistas. Concluo com a assertiva de que tanto a estabilidade da democracia como suas crises passam pela forma como suas instituições incorporam (incorporaram) ou não os antagonismos políticos (conflitos) que emergem (emergiram); além de explicar a importância do antagonismo para a vitalidade da democracia e a necessária permeabilidade das instituições aos reclames dos cidadãos.
Downloads
Referências
BROWN, Wendy. Nas ruínas do neoliberalismo: a ascensão da política antidemocrática no ocidente. São Paulo: Politeia, 2019.
CANOVAN, Margaret. Trust the People! Populism and the Two Faces of Democracy. Political Studies, v. 47, n. 1, p. 2-16, 1999. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/10.1111/1467-9248.00184. Acesso em: 23 fev. 2024.
CASTELLS, Manuel. Ruptura: a crise da democracia liberal. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. A Nova Razão do Mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Boitempo, 2016.
DAHL, Robert. Sobre a democracia. Brasília, DF: Editara UnB, 2009.
DAHL, Robert. Poliarquia. São Paulo: Edusp, 2015.
DOWNS, Anthony. Uma teoria econômica da democracia. São Paulo: Edusp, 2013.
DRYZEK, John. Deliberative democracy and beyond: liberals, critics, contestations. Oxford, Oxford University Press, 2000.
FUKUYAMA, Frncis. O fim da história e o último homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.
GUTMANN, Amy; THOMPSON, Dennis. Democracy and disagreement. Cambridge (MA), Belknap, 1996.
HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.
HABERMAS, Jürgen. Teoría de laacción comunicativa: crítica de larazón funcionalista. Madrid: Taurus, 2003.
HABERMAS, Jürgen. Mudança estrutural da esfera pública. São Paulo: Edunesp, 2014.
HUNTINGTON, Samuel. The third wave: democratization in the late 20th Century. Norman: University of Oklahoma Press, 1991.
LACLAU, Ernesto. Os novos movimentos sociais e a pluralidade do social. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 1, n. 2, 1986, p. 41-47. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/7550572/mod_resource/content/1/Ernesto%20Laclau.pdf. Acesso em: 25 fev. 2024.
LACLAU, Ernesto. Nuevas reflexiones sobre la revolución de nuestro tiempo. Buenos Aires: Nueva Visión, 2000.
LACLAU, Ernesto. A razão populista. São Paulo: Três Estrelas, 2013.
LACLAU, Ernesto; MOUFFE, Chantal. Hegemonia e estratégia socialista: por uma política democrática radical. São Paulo: Intermeios, 2015.
LAZARSFELD, Paul; BERELSON, Bernard; GAUD ET, Hazel. The peoples choice: how the voter makes up his mind in a presidential campaign. Nova York, Columbia University Press, 1969.
LEFORT, Claude. Ensayos sobre lo político. Guadalajara: Editora Universidad de Guadalajara, 1991.
LEFORT, Claude. A invenção da democracia: os limites da dominação totalitária. Belo Horizonte: Autêntica, 2011.
LEVITSKY, Stiven.; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
LIPSET, Seymour, Political man: the social bases o f politics. Garden City, Anchor Books, 1963.
MACPHERON, C. B. A democracia liberal: origens e evolução. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1978.
MANIN, Bernard. On legitimacy and democratic deliberation. Political Theory, v. 15, n. 3, p. 338-368, 1987. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/191208. Acesso em: 26 fev. 2024.
MANIN, Bernard. As Metamorfoses do Governo Representativo. Revista Brasileira de Ciências Sociais, nº 29, p. 5-34, 1995. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4418905/mod_resource/content/1/Manin%20-%20Metamorfoses%20do%20governo%20representativo%20%28artigo%29.pdf. Acesso em: 29 fev. 2024.
MENDONÇA, Daniel. Teorizando o agonismo: crítica a um modelo incompleto. Sociedade e Estado, v. 25, n. 3, p. 479-497, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/se/a/Zv6xrBmHnvwnsVc8wK3W7Bg/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 29 fev. 2024.
MENDONCA, Daniel. Democratas Têm Medo do Povo? O populismo como resistência política. Revista Caderno CRH, Salvador, v. 32, n. 85, p. 185-201, 2019a. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ccrh/v32n85/0103-4979-ccrh-32-85-0185.pdf. Acesso em: 20 nov. 2023.
MENDONÇA, Daniel. A crise da democracia liberal e a alternativa populista de esquerda. Revista Simbiótica, v. 6, n. 2, p. 31-50, 2019b. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/simbiotica/article/view/28401/20245. Acesso em: 20 nov. 2023.
MIGUEL, Luis Felipe. Teoria democrática atual: esboço de mapeamento. Revista Brasileira de Informações Bibliográficas, n. 59, p. 5-42, 2005. Disponível em: http://www.anpocs.com/index.php/edicoes-anteriores/bib-59/569-teoria-democratica-atual-esboco-de-mapeamento/file. Acesso em: 24 fev. 2024.
MIGUEL, Luis Felipe. Consenso e conflito na teoria democrática: para além do “agonismo”. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, São Paulo, n. 92, p. 13-43, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ln/a/hg4h433nN5rFFLRwxzLNXMn/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 29 fev. 2024.
MIGUEL, Luis Felipe; VITULLO, Gabriel. Democracia, dominação política e emancipação social. Revista Crítica Marxista, n . 51, p. 11-35, 2020. Disponível em: https://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo2021_06_22_17_37_15.pdf. Acesso em: 28 fev. 2024.
MOUFFE, Chantal. O regresso do político. Lisboa: Gradiva, 1996.
MOUFFE, Chantal. La paradoja democrática. Barcelona: Gedisa, 2003.
MOUFFE, Chantal. Por um modelo agonístico de democracia. Revista de Sociologia e Política, n. 25, p. 11-23, 2005. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsocp/a/k5cVRT5zZcDBcYpDCTxTMPc/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 24 fev. 2024.
MOUFFE, Chantal. Sobre o político. São Paulo: Martins Fontes, 2015.
MOUFFE, Chantal. Por um populismo de esquerda. São Paulo: Autonomia Literária, 2019.
MOUNK, Yascha. O povo contra a democracia. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
MUDDE, Cas. The Populist Zeitgeist. Government and Opposition, v. 39, n. 4, p. 541-563, 2014. Disponível em: https://www.cambridge.org/core/journals/government-and-opposition/article/populist-zeitgeist/2CD34F8B25C4FFF4F322316833DB94B7. Acesso em: 23 fev. 2024.
MÜLLER, Jan-Werner. What is Populism? Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2016.
OLSON, Mancur. The logic o f collective action: public goods and the theory o f groups, Cambridge (MA), Harvard University Press, 1965.
PATEMAN, Carole. Participação e teoria democrática. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1992.
PRZEWORSK I, Adam. Estado e economia no capitalismo. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995.
PRZEWORSKI, Adam. Crises da democracia. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
RIKER, William. Liberalism against populism: a confrontation between the theory of democracy and the theory of social choice. San Francisco, Freeman, 1982.
RUNCIMAN, David. Como a democracia chega ao fim. São Paulo: Todavia, 2018.
SANTOS, Boa Ventura. A difícil democracia. São Paulo: Boitempo, 2016.
SARTORI, Giovanni. Teoria democrática. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura, 1965.
SCHMITT, Carl. O conceito do político: teoria do Partisan. Belo Horizonte: Del Rey, 2009.
SCHUMPETER, Joseph. Capitalismo, Socialismo e Democracia. São Paulo: Edunesp, 2017.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Felipe Corral de Freitas

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.