MULHER DE 45 ANOS VEIO AO HOSPITAL POR DOR ABDOMINAL DIFUSA, DORES NO CORPO, CONSTIPAÇÃO E AUSÊNCIA DE DIURESE HÁ 24 HORAS

Autores

  • Sergio Henrique Prezz Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, RS, Brasil. Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Porto Alegre, RS, Brasil.
  • Daniela Rosa da Rosa Unidade de oncologia, Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Porto Alegre, RS, Brasil.
  • Edino Parolo Unidade de Tratamento Intensivo, Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Porto Alegre, RS, Brasil.
  • Letícia Perondi Luz Medicina Interna, Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Porto Alegre, RS, Brasil.
  • Marcelle R. Cersid Serviço de Patologia, Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Porto Alegre, RS, Brasil. Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, RS, Brasil.
  • Luís Fernando Rivero Serviço de Patologia, Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Porto Alegre, RS, Brasil. Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, RS, Brasil.
  • Tânia Weber Furlanetto Serviço de Medicina Interna, Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Porto Alegre, RS, Brasil. Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Porto Alegre, RS, Brasil.

Palavras-chave:

hipercalcemia, câncer

Resumo

Relato de caso (Dra. Letícia Luz): Uma mulher branca, 45 anos, branca, veio ao HCPA em 16/10/02 com queixa de dor abdominal difusa, dores no corpo, constipação e ausência de diurese há 24 horas. Tinha estado internada recentemente em outro hospital por hemiparesia direita. Tinha história de hipertensão arterial sistêmica e vinha em uso de captopril, AAS, ibuprofeno e óleo mineral. Ao exame: TA= 160/100 mm Hg; FC= 133 bpm; FR= 30 mpm; Sat O2‚ 97% ; temperatura axilar= 36,7 °C. Apresentava fácies de dor. O abdômen tinha ruídos hidroaéreos positivos, estava levemente distendido e a paciente referia dor à sua palpação, identificando-se massa palpável na região supra-pública. O toque retal mostrou fecaloma. Foram drenados 500 mL de urina, por sondagem vesical. Na ecografia abdominal, o fígado estava aumentado, com lesões heterogêneas, a maior com 12,8 X 9,8 cm., sem plano de clivagem entre a lesão hepática e o rim direito; pequena quantidade de líquido livre na pelve. O exame radiológico de tórax (RX) mostrou elevação da hemicúpula diafragmática direita e imagem nodular densa na base pulmonar direita. RX de abdômen agudo mostrou cólon e retossigmóide preenchido por fezes e alguns níveis hidroaéreos em alças de intestino delgado.

No dia 17/10, a paciente apresentou estado confusional. Ao exame, identificou-se, a palpação abdominal, massa pétrea em hipocôndrio D e epigástrio. O exame neurológico mostrou plegia do membro superior direita (MSD) e Babinski bilateral. A tomografia do crânio mostrou aumento de partes moles junto à calvária, que determinava alteração óssea associada, e numerosas áreas de rarefação óssea na alta convexidade. No dia 18/10, foram iniciados hidratação parenteral e pamidronato EV, com melhora parcial da confusão mental. No dia 19/10, a paciente persistia com plegia do MSD, identificando-se também perda acentuada da força em membro inferior esquerdo e arreflexia em membros inferiores. Foi iniciado dexametasona EV. A tomografia mostrou, ao nível da porção lateral direita do canal modular em C5 e C6, material hiperdenso de formato semilunar, presumivelmente extradural. Mostrou também lesões nas asas laterais direitas de C4 e C6. No dia 20/02, houve piora do estado confusional. No dia 21/10, foi realizada laminectomia em C5-C6, com a retirada de lesão espessa, sólida, brancacenta, pouco vascularizada à direita do saco dural. Iniciado ampicilina-sulbactam EV.

No dia 22/10, a paciente apresentou oligúria, sendo iniciados hidratação, alopurinol e furosemide. Em 23/10, a paciente evoluiu com insuficiência renal aguda não oligúrica e acidose metabólica, sendo admitida na unidade tratamento intensivo. Permanecia com sinais vitais estáveis. Em 24/10, a paciente evoluiu com piora da acidose, recebendo bicarbonato. Foi iniciada ventilação mecânica. O RX de tórax mostrou extenso derrame pleural à D, o qual foi puncionado. Após, apresentou hipotensão arterial e oligúria, evoluindo a óbito na manhã do dia 25/10.

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Publicado

2020-04-01

Como Citar

1.
Prezz SH, da Rosa DR, Parolo E, Luz LP, Cersid MR, Rivero LF, Furlanetto TW. MULHER DE 45 ANOS VEIO AO HOSPITAL POR DOR ABDOMINAL DIFUSA, DORES NO CORPO, CONSTIPAÇÃO E AUSÊNCIA DE DIURESE HÁ 24 HORAS. Clin Biomed Res [Internet]. 1º de abril de 2020 [citado 7º de dezembro de 2022];23(3). Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/hcpa/article/view/101564

Edição

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