Imagens do verde e da ferrugem: Crise e duração do trabalho ferroviário sul brasileiro

Autores/as

Palabras clave:

Antropologia Visual, Antropologia do Trabalho, Etnografia da Duração, Pelotas, Ferroviários

Resumen

Neste ensaio abordo a imagética da crise do transporte ferroviário, desde o regime de imagens de sua comunidade de trabalho, com a qual realizei trabalho de campo na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul. O conjunto de fotografias constelam ao entorno de dois principais conceitos — o de crise e o de duração — ambos derivados de minha filiação teórica à Etnografia da Duração. A crise é a ruptura dos tempos vividos organizados pelo trabalho, a descontinuidade dos vínculos afetivos e significativos, as ruínas dos espaços de vida, a precarização e a demissão. A duração é a insubordinação frente a finitude do tempo, são os envelhecimentos resilientes e combativos dos ferroviários/as e suas famílias. A indissociável relação entre crise e duração vem da própria experiência de trabalho de campo. As denúncias da crise, realizadas pela comunidade ferroviária, também são formas de durar no tempo. Por isso, busquei em fotografias produzidas durante o trabalho de campo que cumprissem o duplo papel de lamentar, evidenciando. Prantear, se insubordinando. Imagens do verde e da ferrugem. Das cercas e grades que separam as pessoas dos seus antigos espaços de trabalho. Da tinta descascada, do muro caído do sindicato ferroviário. Da crise e, também, da duração.

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Biografía del autor/a

Guillermo Stefano Rosa Gómez

Doutorando PPGAS/UFRGS. Núcleo de Antropologia Visual (Navisual)

Citas

ECKERT, Cornelia. Memória e trabalho: etnografia da duração de uma comunidade de mineiros do carvão (La Grand-Combe, França) Curitiba: Appris, 2012.

GÓMEZ, Guillermo Stefano Rosa. (2018.) Etnografia da Crise e da Duração Ferroviária em Pelotas: Um estudo antropológico de memória coletiva. 238 f. Dissertação (Mestrado) — Curso de Antropologia Social, IFCH, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Disponível em: <https://lume.ufrgs.br/handle/10183/179424>.

INGOLD, Tim. Trazendo as coisas de volta à vida: emaranhados criativos num mundo de materiais. Horizontes Antropológicos, v.18, n.37, 2012, p.25–44.

NUNES, Ivanil. Douradense: A agonia de uma ferrovia. São Paulo: Annablume, 2005.

Publicado

2022-10-20

Cómo citar

Gómez, G. S. R. . (2022). Imagens do verde e da ferrugem: Crise e duração do trabalho ferroviário sul brasileiro. Fotocronografias, 3(06), 56–69. Recuperado a partir de https://seer.ufrgs.br/index.php/fotocronografias/article/view/127976

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