Os outros ocultos nas interfaces de jogos digitais educacionais
DOI:
https://doi.org/10.22456/1982-1654.79901Palavras-chave:
Jogos digitais educacionais. Dialogismo. Design Participativo. Sociedade da Informação.Resumo
Neste artigo são tecidas considerações sobre os significados implícitos nas interfaces de jogos digitais educacionais e suas relações com o processo de desenvolvimento dos mesmos. Desses significados, destaca-se a polifonia presente nos enunciados encapsulados nas interfaces, e a relação dialógica entre desenvolvedores e usuários finais. À luz dos estudos de Vygotsky e Bakhtin, contextualizados em uma Comunidade de Prática dentro do ambiente escolar, os resultados apontam para um modelo metodológico que favorece a aprendizagem de conceitos científicos em estreita relação com a aprendizagem de computação e design; e para implicações sobre a pesquisa em contextos informatizados. Em ambas as direções, conclui-se que a produção de artefatos da cultura digital, protagonizada por sujeitos do ensino médio, aproxima as atividades de desenvolvedores novatos e experts, dialogicamente, e indica aspectos ocultos dessa relação que se encapsulam e impactam na qualidade educacional dos sistemas de informação.Downloads
Referências
BAKHTIN, M. Problemas da poética de Dostoievsky. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2002.
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
BARBOSA, S. D. Programação via Interface. Tese de Doutorado. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1999.
BODKER, S.; EHN, P.; SJÖGREN, D.; SUNDBLAD, Y. Co-operative Design - perspectives on 20 years with ‘the Scandinavian IT Design Model’. Anais da Nordic Conference on Human-Computer Interaction - NordiCHI, Stockholm, 2000.
CAPEZZERA, D.; PERES, F. Interação, Mediação e Desenvolvimento de Games Educacionais: Uma análise dos Processos de Ensino Aprendizagem. In: ABRANCHES, A.; SIMÕES, P.; MELO, A.; FOLENA, M. (Org.). Pesquisa Educacional e o direito à Educação: Múltiplas Abordagens. Recife: Ed. Massangana, 2014, p. 201-218.
DANIELS, H. Vygotsky and Pedagogy. London: Routledge Falmer, 2001.
EHN, P. Work-oriented design of computer artifacts. Hillsdale: Lawrence Erlbaum, 1988.
FARACO, C., A. Linguagem e diálogo. As ideias linguísticas do círculo de Bakhtin. Curitiba: Criar Edições, 2003.
GOODWIN, C. Action and embodiment within situated human interaction. Journal of Pragmatics, v. 32, p. 1489-1522, 2000.
GROS, B. Digital Games in Education: The Design of Games-Based Learning Environments. Journal of Research on Technology in Education, 40(1), 23–38, 2007.
HUTCHINS, E. The social organization of distributed cognition. In L. Resnick, B. Levine, M. John, & S. Teasley (Eds.), Perspectives on Socially Shared Cognition. Washington: American Psychological Association. 1991, p. 283 - 307.
LAVE, J.; WENGER, E. Situated Learning: Legitimate Peripheral Participation. Cambridge: Cambridge University Press, 1991.
LIM, C. P. Spirit of the game: Empowering students as designers in schools? British Journal of Educational Technology, v.39, n.6, p. 996-1003, 2008.
MARCUSCHI, L., A.; XAVIER, A. C. (org.). Hipertexto e gêneros digitais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.
MARCUSCHI, L. A. Heráclito e o hipertexto: o logos do hipertexto e a harmonia do oculto. In: Encontro Nacional Sobre Hipertexto, 1, 2005, Recife. Anais. Recife, 2005.
MEIRA, L.; PERES, F. A dialogue-based approach for evaluating educational software. In: Interacting with Computers, v.16, n. 4, p. 615-633, 2004.
MORAIS, D.; GOMES, T.; PERES, F. (2012) Desenvolvimento de jogos educacionais pelo usuário final: uma abordagem além do design participativo, In: Proceedings of the 11th Brazilian Symposium on Human Factors in Computing Systems IHC'12, Brazilian Computer Society, Porto Alegre, Brasil, 2012.
MORAIS, D.; GOMES, T.; SOUZA, A.; PERES, P. Storyboards no Desenvolvimento de Jogos Digitais Educacionais por Usuários Finais: Um Relato de Experiência. In: Anais do Simpósio Brasileiro de Informática na Educação. 2015.
MORAIS, D.; GOMES, T.; OLIVEIRA, G. S.; PERES, F. Teoria da Atividade para Entendimento de Práticas Humanas no Desenvolvimento Participativo de Jogos. In: XIX Conferência Internacional sobre Informática na Educação, Fortaleza, 2014. Anais. Fortaleza, 2014
MORCH, A. Three Levels of End-User Tailoring: Customization, Integration, and Extension. In M. Kyng, & L. Mathiassen (Eds.) Computers and Design in Context, MIT Press, Cambridge, MA, p. 51-76, 1997.
PERES, F. M.; OLIVEIRA, G. S. Teoria da Atividade e desenvolvimento de games educacionais: implicações das comunidades de prática para a aprendizagem em contexto escolar. Anais do Hipertextus, Recife, n.10, jul. 2013.
PERES, F. Corpos e vozes na interface humano-computador: o sujeito entre interações e relações de uso. Artefactum. Rio de Janeiro, v. 1, p. 604-1351-1, 2015.
PONTUAL F. T., MENDES DE ANDRADE, P. F. ; SALES DE MORAIS, D. C. ; DA SILVA OLIVEIRA, G. Participatory methodologies to promote student engagement in the development of educational digital games. COMPUTERS & EDUCATION , v. 116, p. 161-175, 2018.
PRENSKY, M. Digital game-based learning. New York: McGraw-Hill, 2001.
SAVIANI, D. Pedagogia históricocrítica: primeiras aproximações. 8ª edição, Campinas, SP: Autores Associados, 2003.
VALENTE, J. A. O uso inteligente do computador na educação. Pátio: Revista Pedagógica, 1(1), 19-21, 1997.
VAN DER VEER, R.; VALSINER, J. Understanding Vygotsky: A quest for synthesis. Malden: Blackwell Publishing, 1991
VASCONCELOS, M. S., CARVALHO, F. G, BARRETO, J. O., ATELLA, G. C. As Várias Faces dos Jogos Digitais na Educação. Informática na Educação: teoria & prática, Porto Alegre, v. 20, n. 4, p. 203-218, ago. 2017.
VOS, N.; MEIJDEN, H. V. D.; DENESSEN, E. Effects of constructing versus playing an educational game on student motivation and deep learning strategy use. Computers & Education 56, 127-137. 2011
YANG, Y.-T. C.; CHANG, C. Empowering students through digital games authorship: Enhancing concentration, critical thinking and academic achievement. Computers and Education, v.68, p. 334-344. 2013
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
WENGER, E.; TREYNER, B. Communities of practice: A brief introduction, 2015. Disponível em < http://wenger-trayner.com/introduction-to-communities-of-practice/ >. Acesso em: 15 abr. 2016.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Os direitos autorais para artigos publicados nesta revista são do autor, com direitos de primeira publicação para a revista. Em virtude de aparecerem nesta revista de acesso público, os artigos são de uso gratuito, com atribuições próprias, em aplicações educacionais e não-comerciais. Os textos podem ser compartilhados desde que respeitados os direitos autorais sob a licença Creative Commons Não comercial-CompartilhaIgual 4.0.Aceito 2018-01-31
Publicado 2017-12-31