Distribuição geográfica da produção e colaboração científica brasileira nas Ciências Biomédicas

Autores

  • Natascha Helena Franz Hoppen Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Dirce Maria Santin Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Maurício de Vargas Corrêa Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Samile Andréa de Souza Vanz Universidade Federal do Rio Grande do Sul http://orcid.org/0000-0003-0549-4567

DOI:

https://doi.org/10.19132/1808-5245230.50-73

Palavras-chave:

Bibliometria. Cientometria. Ciências Biomédicas. Brasil. Produção científica. Colaboração científica. Análise geográfica.

Resumo

As Ciências Biomédicas constituem um importante campo de pesquisa no Brasil, tanto pelo estudo de doenças locais típicas quanto pelo enfoque em temas de interesse universal. Este estudo faz inicialmente um levantamento da institucionalização das Ciências Biomédicas no Brasil e, depois, analisa a distribuição geográfica da produção e da colaboração científica dessas áreas no país, a fim de compreender as configurações atuais do campo e a concentração e dispersão das pesquisas no território nacional. Trata-se de uma pesquisa bibliométrica realizada com base nos artigos publicados na última década (2006– 2015) por pesquisadores brasileiros em periódicos indexados na Web of Science. Os resultados revelam a concentração da produção em poucos estados, com destaque para São Paulo, presente em quase 50% dos artigos e sendo o mais colaborativo com unidades federativas de outras regiões do país. Outro destaque é o estado do Rio de Janeiro, segundo mais produtivo e responsável, junto com São Paulo, pelos cinco periódicos que mais publicaram artigos da área no período estudado. Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina são os estados seguintes em termos de produtividade. Os clusters de colaboração são formados por estados da mesma região ou próximos geograficamente. Pernambuco e Espírito Santo são também unidades federativas com destaque para seus modos de produção e papel de colaboração em seus clusters. Os estados do norte do país são os menos produtivos, seguidos pelos da região Nordeste, o que aponta necessidade de mais políticas públicas para o desenvolvimento científico dessas regiões. Conclui-se que a proximidade geográfica é um fator importante na colaboração e mesmo na produtividade, tendo em vista que estados mais produtivos estão próximos entre si e se mostram bastante colaborativos.

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Biografia do Autor

Natascha Helena Franz Hoppen, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; bibliotecária do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Dirce Maria Santin, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Mestre e doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; bibliotecária do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Maurício de Vargas Corrêa, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Samile Andréa de Souza Vanz, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Professora do Departamento de Ciências da Informação e do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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Publicado

2017-01-27

Como Citar

HOPPEN, N. H. F.; SANTIN, D. M.; CORRÊA, M. de V.; VANZ, S. A. de S. Distribuição geográfica da produção e colaboração científica brasileira nas Ciências Biomédicas. Em Questão, Porto Alegre, v. 23, p. 50–73, 2017. DOI: 10.19132/1808-5245230.50-73. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/68049. Acesso em: 26 fev. 2024.

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