Como enfrentar o negacionismo e a crítica à educação em tempos de populismo de direita?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1807-0337/e139936

Palavras-chave:

antagonismo, educação, pós-verdade, hiperpolitização, deslocamento

Resumo

Tem sido significativo o crescimento do populismo de direita no mundo, associado em maior ou menor medida a movimentos nazifascistas e ultraconservadores. Grande parte dos discursos que produzem tais movimentos envolvem ataques à educação e à ciência, fomentando o negacionismo científico e a desvalorização do caráter público das escolas e universidades com uso de fake news, em um contexto que muitos denominam pós-verdade. Como forma de se antagonizar a tais movimentos, é crescente a defesa de um Novo Iluminismo, através da valorização da ciência e do conhecimento na escola e na sociedade e da exclusão de discursos da diferença e de registro pós-estrutural. Com base na teoria do discurso de Laclau e Mouffe, em diálogo com a desconstrução derridiana, defendemos outra abordagem desse contexto, de maneira que nos permita questionar efeitos deletérios (antivida, antidemocracia e antijustiça social) do populismo de direita, sem supor o retorno a uma metanarrativa iluminista ou a qualquer registro universalista sobre a verdade da ciência e do conhecimento. Partimos das noções de antagonismo, deslocamento e populismo em Laclau e Mouffe e, então, referenciados em uma visão de conhecimento e ciência submetida aos contextos, ao poder e aos afetos, problematizamos a emergência do contexto da pós-verdade em tempos de populismo de direita no Brasil, bem como os usuais registros de verdadeiro e falso associados às fake news. Defendemos como mais urgente a produção de deslocamentos nos discursos populistas de direita, por meio da hiperpolitização e do questionamento à racionalidade na política, sobretudo na educação.

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Biografia do Autor

Alice Casimiro Lopes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ

Professora Titular na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisadora nível 1A do CNPq, Cientista do Nosso Estado Faperj, Procientista Faperj/Uerj, atua no Programa de Pós-graduação em Educação (ProPEd/Uerj). É líder do grupo de pesquisa Política de currículo e cultura/ DGP-CNPqMaiores informações sobre suas pesquisas e produções podem ser obtidas na página www.curriculo-uerj.pro.br

Érika Virgílio Rodrigues da Cunha, Universidade Federal de Rondonópolis - UFR

 Professora Associada do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu) da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Doutora em Educação, Pós-Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação (ProPEd) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É líder do grupo de pesquisa Políticas de Currículo e Alteridade/DGP-CNPq.

Hugo Heleno Camilo Costa, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

Professor Adjunto da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FEBF/UERJ), do Programa de Pós-graduação em Educação da UERJ (PRoPEd/UERJ) e do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Rondonópolis (PPGEDU/UFR). É líder do NECSUS (Núcleo de Estudos em Currículo, Culturas e Subjetividades/DGP-CNPq).

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Publicado

03-06-2025

Como Citar

LOPES, Alice Casimiro; CUNHA, Érika Virgílio Rodrigues da; COSTA, Hugo Heleno Camilo. Como enfrentar o negacionismo e a crítica à educação em tempos de populismo de direita?. Sociologias, [S. l.], v. 27, n. 64, p. e139936, 2025. DOI: 10.1590/1807-0337/e139936. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/sociologias/article/view/139936. Acesso em: 18 ago. 2026.

Edição

Seção

Dossiê: Teoria do Discurso em Debate