E. P. Thompson, decolonial theorists and decolonial feminism: contributions to rural women
DOI:
https://doi.org/10.1590/1807-0337/e139700Keywords:
decoloniality, epistemic disobedience, experience, feminism, rural women.Abstract
Este artigo propõe uma reflexão teórica sobre a viabilidade de integrar as abordagens de E.P. Thompson e da perspectiva decolonial nos estudos sobre mulheres rurais. Embora ambas as abordagens sejam amplamente discutidas nas ciências humanas e sociais, sua articulação para investigar especificamente as experiências das mulheres rurais ainda é incomum. Este exercício analítico baseia-se nas obras de Thompson, assim como nos intelectuais decoloniais Catherine Walsh, Edgardo Lander, Walter Mignolo, Aníbal Quijano e nas feministas decoloniais Rita Segato, Ochy Curiel e Yuderkys Espinosa Miñoso, que exploram a decolonialidade sob a perspectiva das mulheres latino-americanas. Argumenta-se que a “história vista de baixo”, especialmente pelos conceitos de “lógica histórica” e “experiência” de Thompson, pode ser articulada com a construção de conhecimento “de baixo para cima”, defendida pela teoria decolonial. Através de noções como “decolonialidade”, “desobediência epistêmica” e “interculturalidade”, a teoria decolonial oferece um aparato conceitual que complementa a visão histórica de Thompson. Essa articulação favorece a compreensão das complexas interações entre sexo, raça/etnia, classe e colonialismo nas vivências das mulheres rurais em contextos coloniais e pós-coloniais, posicionando-as como produtoras de conhecimento e não meros objetos de estudo.
Downloads
References
ALBUQUERQUE, Andréa Maria Leite. “Medindo forças na enxada, no machado, na foice”: patriarcado e resistência das mulheres rurais organizadas à violência no Alto Sertão alagoano. 2023. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Programa de Pós-graduação em Sociologia, Instituto de Ciências Sociais, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2023.
BAO, Carlos Eduardo; LIMA, Natália de Oliveira. Lógica histórica e interculturalidade: um diálogo possível. Tempo da Ciência, v. 24, n. 47, p. 26-44, 2017. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/tempodaciencia/ article/view/17904/11803. Acesso em: 19 set. 2023.
CABNAL, Lorena. Acercamiento a la construcción de la propuesta de pensamiento epistémico de las mujeres indígenas feministas comunitarias de Abya Yala. In: CABNAL, Lorena (ed.). Feminismos diversos: el feminismo comunitario. Las Segovias: ACSUR, 2010.
CURIEL, Ochy. Construindo metodologias feministas desde o feminismo decolonial. In: SEMANA DE REFLEXÕES SOBRE NEGRITUDE, GÊNERO E RAÇA: DESCOLONIZAR O FEMINISMO, 7., 2019, Brasília. Anais [...]. Brasília: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília, 2019. p. 32-51.
CURIEL, Ochy. Crítica pós-colonial a partir das práticas políticas do feminismo antirracista. Revista de Teoria da História, v. 22, n. 2, p. 231-245, 2020. Disponível em: https://revistas.ufg.br/teoria/article/view/58979/34175. Acesso em: 10 jan. 2024.
CURIEL, Ochy; FALQUET, Jules. Introdução. In: FERREIRA, Verônica et al. (ed.). O patriarcado desvendado: teorias de três feministas materialistas: Colette Guillaumin, Paola Tabet e Nicole Claude Mathieu. Recife: SOS Corpo, 2014. p. 7-26.
ESPINOSA MIÑOSO, Yuderkys. Sobre por que é necessário um feminismo decolonial: diferenciação, dominação coconstitutiva da modernidade ocidental. São Paulo: MASP, Afterall, 2020. Disponível em: https://assets.masp.org.br/ uploads/temp/temp-Giqs0qaSQ1sxGgwydI1C.pdf. Acesso em: 20 dez. 2023.
GOHN, Maria da Glória. Teoria dos movimentos sociais: paradigmas clássicos contemporâneos, São Paulo: Loyola, 2002.
LANDER, Edgardo. Ciências sociais: saberes coloniais e eurocêntricos. In: LANDER, Edgardo (ed.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 21-53. Disponível em: https://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/sur-sur/20100624092356/4_Lander.pdf. Acesso em: 10 ago. 2023.
LEITE, Taylisi de Souza Corrêa. Crítica ao feminismo liberal: valor-clivagem e marxismo feminista. São Paulo: Editora Contracorrente, 2020.
LUGONES, María. Colonialidad y género. Tabula Rasa, n. 9, p. 73-101, 2008. DOI: http://doi.org/10.25058/20112742.340.
MARTINS, Heloisa Helena T. Souza. Metodologia qualitativa de pesquisa. Educação e Pesquisa, v. 30, n. 2, p. 289-300, 2004. DOI: http://doi.org/10.1590/ S1517-97022004000200007.
MARTINS, Suely Aparecida. As contribuições teórico-metodológicas de E. P. Thompson: experiência e cultura. Revista Eletrônica dos Pós-graduandos em Sociologia Política da UFSC, v. 4, n. 2, p. 113-126, 2006. Disponível em: https:// periodicos.ufsc.br/index.php/emtese/article/view/13539. Acesso em: 10 ago. 2023.
MIGNOLO, Walter. Desobediencia epistémica: retórica de la modernidad, lógica de la colonialidad y gramática de la descolonialidad. Buenos Aires: Ediciones del Signo, 2010.
MÜLLER, Ricardo Gaspar; MORAES, Maria Célia Marcondes de. Pesquisa Social e Lógica Histórica: a atualidade de E. P. Thompson. In: CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA, 6., 2008, Lisboa. Anais [...]. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade de Nova Lisboa, 2008. Disponível em: http://associacaoportuguesasociologia.pt/vicongresso/pdfs/623.pdf. Acesso em: 5 set. 2023.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: QUIJANO, Aníbal (ed.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais, perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 227-278. Disponível em: https://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/sur-sur/20100624103322/12_Quijano.pdf. Acesso em: 10 ago. 2023.
SAFFIOTI, Heleieth Iara Bongiovani. Rearticulando gênero e classe social. In: COSTA, Albertina de Oliveira; BRUSCHINI, Cristina (ed.). Uma questão de gênero. Rio de Janeiro: Rosa dos Ventos, 1992. p. 183-215.
SAFFIOTI, Heleieth Iara Bongiovani. Violência estrutural e de gênero: mulher gosta de apanhar? In: BRASIL. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (ed.). Programa de Prevenção, Assistência e Combate à Violência Contra a Mulher: Plano Nacional: diálogos sobre violência doméstica e de gênero: construindo políticas públicas. Brasília: Secretaria Especial de Políticas paras as Mulheres, 2003. p. 27-38.
SCHERER-WARREN, Ilse. Movimentos sociais e pós-colonialismo na América Latina. Ciências Sociais Unisinos, v. 46, n. 1, p. 18-27, 2010. DOI: http://doi. org/10.4013/csu.2010.46.1.03.
SEGATO, Rita. Brechas decoloniales para una Universidad Nuestroamericana. In: SEGATO, Rita (ed.). La critica de la colonialidad en ocho ensayos y una antropologia por demanda. Buenos Aires: Prometeu Libros, 2013. p. 267-293.
SILVA, Maria Aparecida de Moraes. Encontrando as mulheres nos vãos da história. Contemporânea: Revista de Sociologia da UFSCar, v. 2, n. 1, p. 151- 157, 2012a. Disponível em: https://www.contemporanea.ufscar.br/index.php/ contemporanea/article/view/63. Acesso em: 20 ago. 2023.
SILVA, Maria Aparecida de Moraes. Mulheres trabalhadoras rurais: trajetórias e memórias. RURIS, v. 4, n. 2, p. 13-43, 2012b. DOI: http://doi.org/10.53000/ rr.v4i2.770.
SOUZA-LOBO, Elisabeth. A classe operária tem dois sexos: trabalho, dominação e resistência. 3 ed. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, Editora Expressão Popular, 2021.
THOMPSON, Edward Palmer. A miséria da teoria ou um planetário de erros: uma crítica ao pensamento de Althusser. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.
THOMPSON, Edward Palmer. Senhores e caçadores: a origem da Lei Negra. Tradução Denise Bottmann. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.
WALSH, Catherine. Estudios (inter)culturales en clave de-colonial. Tabula Rasa, n. 12, p. 209-227, 2010. DOI: http://doi.org/10.25058/20112742.393.
WALSH, Catherine. Interculturalidad y (de)colonialidad: perspectivas críticas y políticas. Visão Global, v. 15, n. 1-2, p. 61-74, 2012. Disponível em: https://periodicos.unoesc.edu.br/visaoglobal/article/view/3412. Acesso em: 15 ago. 2023.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Copyright (c) 2025 Andréa Maria Leite Albuquerque, Marilda Aparecida de Menezes

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Authors retain the copyright and grant the journal the right of first publication, with the work simultaneously licensed under the Creative Commons Attribution License which allows the sharing of work with acknowledgment of authorship and initial publication in this journal.