O estabelecimento da moratória da soja na floresta amazônica brasileira

ação ambiental estratégica para explorar oportunidades em múltiplos campos

Autores

  • Silvio Eduardo Alvarez Candido Universidade Federal de São Carlos

DOI:

https://doi.org/10.1590/18070337-128528pt

Palavras-chave:

moratória da soja, Floresta Amazônica, campos de ação estratégica, movimentos sociais, oportunidades políticas

Resumo

O artigo aborda como organizações do movimento ambientalista conseguiram estabelecer a moratória da soja na Amazônia brasileira. Articula a perspectiva dos Campos de Ação Estratégica (CAEs) com ideias da teoria dos movimentos sociais, abordando os mercados como construções culturais, políticas e históricas. Uma pesquisa qualitativa foi realizada usando dados de múltiplas fontes. Debatendo com autores que conceituaram as estruturas de oportunidades políticas (EOPs) dos mercados, demonstramos que estas podem ser mais bem compreendidas como um conjunto de CAEs interconectados. Para lidar com EOPs fechadas na Amazônia brasileira, as organizações ambientalistas tiveram que mudar estrategicamente a escala de sua atuação e internacionalizar seus protestos, identificando e aproveitando as aberturas em setores e empresas na Europa e pressionando-as a usarem sua força para transformar as práticas das principais tradings de soja.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Silvio Eduardo Alvarez Candido, Universidade Federal de São Carlos

Doutor em Engenharia de Produção e Professor de Estudos Organizacionais e do Trabalho na Universidade Federal de São Carlos.

Referências

ALONSO, Angela; COSTA, Valeriano; MACIEL, Débora. Identidade e estratégia na formação do movimento ambientalista brasileiro. Novos estudos CEBRAP, n. 79, p. 151-167, 2007.

ANDRADE, Roberta A.; SACOMANO NETO, Mário; CANDIDO, Silvio E. A. Implementing community-based forest management in the Brazilian Amazon Rainforest: a strategic action fields perspective. Environmental Politics, v. 31, n. 3, p. 519-541, 2002.

BARBOSA, Luiz C. Guardians of the brazilian amazon rainforest: environmental organizations and development. Londres: Routledge, 2015.

BARTLEY, Tim; EGELS-ZANDÉN, Niklas. Beyond decoupling: Unions and the leveraging of corporate social responsibility in Indonesia. Socio-Economic Review, v. 14, n. 2, p. 231-255, 2016.

BECKER, Bertha. K. Revisão das políticas de ocupação da Amazônia: é possível identificar modelos para projetar cenários? Parcerias estratégicas, v. 6, n. 12, p. 135-159, 2001.

CANDIDO, Silvio Eduardo A.; SACOMANO NETO, Mario; CÔRTES, Mauro R. How social inequalities shape markets: lessons from the configuration of PET recycling practices in Brazil. Business & Society, v. 61, n. 3, p. 539-571, 2022.

CARDOSO, Fátima C. (2008). Do confronto à governança ambiental: uma perspectiva institucional para a Moratória da Soja na Amazônia. Dissertação (Mestrado em Ciência Ambiental) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

CARNEIRO, Marcelo. S. A construção social do mercado de madeiras certificadas na Amazônia brasileira: a atuação das ONGs ambientalistas e das empresas pioneiras. Sociedade e Estado, v. 22, p. 681-713, 2007.

DIMAGGIO, Paul. J.; POWELL, Walter. W. The iron cage revisited: Institutional isomorphism and collective rationality in organizational fields. American sociological review, v. 48, n. 2, p. 147-160, 1983.

FLIGSTEIN, Neil. Understanding stability and change in fields. Research in Organizational Behavior, v. 33, 39-51, 2013.

FLIGSTEIN, Neil. The architecture of markets. Princeton: Princeton University Press, 2001.

FLIGSTEIN, Neil.; MCADAM, Doug. A theory of fields. Oxford: Oxford University Press, 2012.

GIBBS, Holly et al. Brazil’s soy moratorium. Science, v. 347, n. 6220, p. 377-378, 2015.

GREENPEACE. Comendo a Amazônia. Brasil: Greenpeace, 2006.

GTS – GRUPO DE TRABALHO DA SOJA. Relatório da moratória da soja no bioma Amazônia. Brasil: GTS, 2007.

HOCHSTETLER, Kathryn; KECK, Margaret E. Greening Brazil: Environmental activism in state and society. Durham: Duke University Press, 2007.

HUSU, Hanna-Mari. Rethinking incumbency: Utilising Bourdieu’s field, capital, and habitus to explain energy transitions. Energy Research and Social Science, v. 93, e102825, 2022.

KECK, Margaret E.; SIKKINK, Kathryn. Transnational advocacy networks in international and regional politics. International social science journal, v. 51, n. 159, p. 89-101, 1999.

KING, Brayden G.; PEARCE, Nicolas. A. The contentiousness of markets: Politics, social movements, and institutional change in markets. Annual review of sociology, v. 36, p. 249-267, 2010.

KNEEN, Brewster. Invisible giant: Cargill and its transnational strategies. Londres: Pluto Press, 2002.

KUNGL, Gregor; HESS, David J. Sustainability transitions and strategic action fields: A literature review and discussion. Environmental Innovation and Societal Transitions, v. 38, p. 22-33, 2021.

LAMBIN, Eric et al. The role of supply-chain initiatives in reducing deforestation. Nature Climate Change, v. 8, n. 2, p. 109-116, 2018.

LANGERT, Bob. The battle to do good: Inside McDonald’s sustainability journey. Bingley: Emerald, 2019.

LEROY, Jean-Pierre. Uma chama na Amazônia. Rio de Janeiro: Vozes, 1991.

MARTIN, John-Levi. What is field theory? American journal of sociology, v. 109, n. 1, p. 1-49, 2003.

MCADAM, Doug; TARROW, Sidney; TILLY, Charles. Dynamics of contention. Cambridge: Cambridge University Press, 2003.

MCATEER, Emily; PULVER, Simone. The corporate boomerang: Shareholder transnational advocacy networks targeting oil companies in the Ecuadorian Amazon. Global Environmental Politics, v. 9, n. 1, p. 1-30, 2009.

MEYER, David. Protest and political opportunities. Annual review of sociology, v. 30, p. 125-145, 2004.

NEPSTAD, Daniel et al. Slowing Amazon deforestation through public policy and interventions in beef and soy supply chains. Science, v. 344, n. 6188, p. 1118-1123, 2014.

POLANYI, Karl. A grande transformação. Lisboa: Leya, 2013.

POLKINGHORNE, Donald. E. Narrative configuration in qualitative analysis. International journal of qualitative studies in education, v. 8, n. 1, p. 5-23, 1995.

SCHURMAN, Rachel. Fighting “Frankenfoods”: Industry opportunity structures and the efficacy of the anti-biotech movement in Western Europe. Social problems, v. 51, n. 2, p. 243-268, 2004.

SOULE, Sarah. Contention and corporate social responsibility. Cambridge: Cambridge University Press, 2009.

STEWARD, Corrina. From colonization to “environmental soy”: a case study of environmental and socio-economic valuation in the Amazon soy frontier. Agriculture and Human Values, v. 24, n. 1, p. 107-122, 2007.

TARROW, Sidney. The new transnational activism. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.

TEMPER, Leah. From boomerangs to minefields and catapults: dynamics of trans-local resistance to land-grabs. The Journal of Peasant Studies, v. 46, n. 1, p. 188-216, 2019.

TORRES, Maurício; BRANFORD, Sue. Após mais de uma década, pacto voluntário entre empresas e ONGs deixa dúvidas sobre eficácia em proteger a Amazônia. The Intercept, 16 mar. 2017. Disponível em: https://theintercept.com/2017/03/16/moratoria-da-soja-solucao-contra-o-desmatamento-ou-marketing-corporativo/

Publicado

05-10-2023

Como Citar

CANDIDO, Silvio Eduardo Alvarez. O estabelecimento da moratória da soja na floresta amazônica brasileira: ação ambiental estratégica para explorar oportunidades em múltiplos campos. Sociologias, [S. l.], v. 25, n. 62, 2023. DOI: 10.1590/18070337-128528pt. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/sociologias/article/view/128528. Acesso em: 9 ago. 2026.

Edição

Seção

Dossiê Contestação social, transformação e estabilização de mercados