Segurança jurídica e supremacia branca: a defesa dos interesses do agronegócio como autopreservação do Estado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1807-0337/e148482

Palavras-chave:

segurança jurídica, agenciamentos racializantes, terra, agronegócio, Estado.

Resumo

Este trabalho discute como a noção de segurança jurídica tem operado como um mediador nas diferentes controvérsias envolvendo os setores patronais rurais. Por meio de uma cartografia das formas pelas quais o termo foi mobilizado nos principais canais de comunicação vinculados ao agronegócio no período entre 2015 e 2023, identificamos as diferentes associações que estabilizam segurança jurídica e seus efeitos para a forma como os setores patronais rurais buscaram influenciar a política fundiária e trabalhista. Observamos que a noção de segurança jurídica, da forma como é estabilizada, tem como efeito a normalização da defesa do proprietário rural em todos os seus interesses e de forma absoluta. Como mediador, segurança jurídica produz um agenciamento racializante na medida em que situa o proprietário branco como agente do progresso e da civilização e constrói o outro racializado como agente da insegurança, passível de ser evacuado da terra em nome da autopreservação do Estado e do progresso. Sendo assim, argumentamos que a forma como segurança jurídica aparece estabilizada nas disputas envolvendo o agronegócio atualiza o processo de racialização e de subjugação racial que foi necessário à acumulação capitalista e à concentração de terra no Brasil.

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Biografia do Autor

Camila Penna de Castro, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS

É doutora em Sociologia pela UnB.

Lauren Suzana Rodrigues, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS

Mestranda em Sociologia no PPGS/UFRGS. Pesquisadora vinculada ao grupo Terra, Território e Raça (TERRA/UFRGS), com atuação nas áreas de sociologia rural, política fundiária e teoria crítica da raça.

Marina Costa Stringhini, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS

Mestranda no Programa de Pós Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGS/UFRGS), bacharel em Ciências Sociais e graduanda em Serviço Social pela mesma instituição.

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Publicado

20-02-2026

Como Citar

PENNA DE CASTRO, Camila; SUZANA RODRIGUES, Lauren; COSTA STRINGHINI, Marina. Segurança jurídica e supremacia branca: a defesa dos interesses do agronegócio como autopreservação do Estado. Sociologias, [S. l.], v. 28, n. 65, p. e148482, 2026. DOI: 10.1590/1807-0337/e148482. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/sociologias/article/view/148482. Acesso em: 1 ago. 2026.

Edição

Seção

Dossiê: Agronegócio, Ciência e Tecnologia