A CONFEDERAÇÃO AFRICANA DE FUTEBOL (CAF) E A COPA AFRICANA DE NAÇÕES (CAN) COMO EXEMPLOS DE UM PAN-AFRICANISMO EFETIVO: UMA BREVE DISCUSSÃO
DOI:
https://doi.org/10.22456/2448-3923.150089Palavras-chave:
Copa Africana de Nações, Confederação Africana de Futebol, Futebol, Pan-africanismo, Integração regionalResumo
O pan-africanismo é uma ideologia que tem duas ideias básicas em seu cerne: "a herança comum dos povos de ascendência africana em todo o mundo e o mandato dos povos africanos de trabalhar pelos interesses e bem-estar uns dos outros em todos os lugares". Ao longo dos anos, o pan-africanismo transformou-se em uma ideologia mobilizadora: um projeto de desenvolvimento e uma estratégia para alcançar a unidade política na África por meio da cooperação continental. Este artigo discute, por meio de uma análise e síntese da pesquisa existente, como a Confederação Africana de Futebol (CAF) e a Copa Africana de Nações (CAN) são exemplos de um pan-africanismo efetivo nas décadas seguintes à descolonização. Para isso, é feita uma revisão histórica do lapso de tempo entre o fim do colonialismo europeu e a disseminação do pan-africanismo na África até os dias atuais, mostrando como tanto a CAN quanto a CAF foram usadas para o reforço de identidades nacionais e regionais, para a integração regional e a projeção internacional de África. A CAF foi fundada em 1957 por apenas quatro países. Ela conquistou importante independência política ao longo das décadas e hoje é uma das organizações mais influentes e ricas de África. Principal torneio de futebol masculino do continente, a Copa Africana de Nações, popularmente conhecida como CAN, também nasceu na esteira dos processos de independência africanos. Disputado pela primeira vez em 1957 por apenas três equipes — Sudão, Egito e Etiópia —, o evento cresceu e, ao longo dos anos, passou a abranger novas nações africanas que emergiram da luta pela emancipação, ajudando a semear o ideal do pan-africanismo. O futebol rapidamente se mostrou uma importante ferramenta diplomática, política e de integração para os líderes da África independente. Isso pode ser visto, por exemplo, no apoio dado pelas confederações africanas à candidatura do brasileiro João Havelange à presidência da FIFA.
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