A promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente

disputas, ideologias e consensos nas Casas Legislativas

Autores

  • Maria Nilvane Fernandes Universidade Federal do Amazonas (UFAM) https://orcid.org/0000-0002-3420-2714
  • Angela Mara de Barros Lara Universidade de Maringá - Unicesumar

DOI:

https://doi.org/10.22456/2317-8558.146896

Resumo

Este artigo analisa o movimento ideológico e a correlação de forças no Congresso Nacional e na Câmara dos Deputados que influenciaram a aprovação da Lei nº 8.069/1990 – o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O processo teve início com a inserção dos artigos 227 e 228 na Constituição Federal de 1988, mas consolidou-se no contexto de um movimento neoliberal que visava implementar uma legislação capaz de fomentar a atuação de Organizações Não Governamentais (ONGs) em detrimento de políticas públicas estatais. O contexto político favoreceu a rápida aprovação da norma, impulsionada por intenso lobby de novos movimentos sociais, com o apoio da mídia e de organismos internacionais, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Além disso, o artigo aborda o movimento em prol da aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o qual enfrentou significativa resistência para avançar sua agenda. Não por acaso, o texto demonstra que a postura dos senadores foi diametralmente oposta em relação aos dois projetos: enquanto adotaram um discurso supostamente progressista para a ratificação do ECA, assumiram uma posição claramente conservadora em relação à LDB. A análise conclui que essa divergência de atuação estava intrinsicamente ligada à natureza das leis em questão: o ECA, enquanto instrumento neoliberal, facilitou a atuação de ONGs em substituição ao Estado; já a LDB, elaborada por movimentos sociais progressistas, garantia direitos fundamentais incompatíveis com as diretrizes neoliberais.

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Biografia do Autor

Maria Nilvane Fernandes, Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Pedagoga, Mestre e Doutora em Educação. Bolsista do CNPq - Processo nº 200864/2022-0 – para cursar pós-doutoramento no Human Development & Family Science (HDFS) da Texas Tech University (TTU). Bolsista FAPEAM – 01.02.016301.00872/2024-97 – para realizar mobilidade acadêmica na Universidad Federal de Buenos Aires (Argentina) no ano de 2024. Doutoramento sanduíche no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa - fomento Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior PDSE - 88881.134314/2016-01/CAPES. Professora Adjunta da área de Fundamentos da Educação do Curso de Pedagogia e Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Mestre em adolescente em conflito com a lei (UNIBAN/SP); Líder do Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão sobre Políticas, Educação, Violências e Instituições (GEPPEvi). Editora-Chefe da Revista Amazônida. http://lattes.cnpq.br/3429086275125541  nilvane@gmail.com http://orcid.org/0000-0002-3420-2714.

Angela Mara de Barros Lara, Universidade de Maringá - Unicesumar

Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Maringá - UEM (1986). Pós-doutora em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina e Doutora em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Mestre em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba. Professora Associada aposentada da UEM e do mestrado em Gestão do Conhecimento nas Organizações. Pesquisadora do ICETI da Universidade de Maringá - Unicesumar. E-mail: angelalara@ymail.com Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8799-8413 Lattes: http://lattes.cnpq.br/9373145087387951

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Publicado

2025-09-01

Como Citar

Fernandes, M. N., & Lara, A. M. de B. (2025). A promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente : disputas, ideologias e consensos nas Casas Legislativas. Cadernos Do Programa De Pós-Graduação Em Direito – PPGDir. UFRGS, 20(1), 279–303. https://doi.org/10.22456/2317-8558.146896