PRESO NO TORVELINHO DO PRESENTE
A FORMA NARRATIVA DO COLAPSO EM "O RISO DOS RATOS", DE JOCA RANIERS TERRON
DOI :
https://doi.org/10.22456/2238-8915.146246Résumé
As tragédias ambientais e sociais do presente desafiam a capacidade de narrar, deslocando os modos tradicionais de organizar a experiência no tempo e no espaço. O Riso dos Ratos, de Joca Reiners Terron, insere-se nesse contexto ao apresentar uma narrativa fragmentária que rompe com as formas convencionais de contar o mundo. A obra desestabiliza a estrutura aristotélica da linearidade e causalidade da ação, substituindo-a por um fluxo descontínuo no qual o protagonista é arrastado por tempos históricos sobrepostos, experimentando ciclos de violência e desamparo sem resolução. Essa fragmentação pode ser compreendida à luz de Jacques Rancière, para quem a ruptura com a lógica mimética permite reconfigurar a relação entre narrativa e realidade, organizando o sensível não pela verossimilhança, mas pela justaposição de percepções e afetos através de fragmentos do real. A partir disso, a teoria da bolsa de ficção de Ursula K. Le Guin oferece uma chave para ler O Riso dos Ratos como um conjunto de fragmentos que, reunidos, revelam uma paisagem em colapso. Buscamos demonstrar, portanto, que, ao desconstruir formas narrativas tradicionais, a obra reflete a experiência contemporânea do desastre: um mundo em que a necessidade de narrar confronta a incapacidade de dar ordem ao caos.
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