PRESO NO TORVELINHO DO PRESENTE

A FORMA NARRATIVA DO COLAPSO EM "O RISO DOS RATOS", DE JOCA RANIERS TERRON

Auteurs-es

  • Jade Arbo Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil

DOI :

https://doi.org/10.22456/2238-8915.146246

Résumé

As tragédias ambientais e sociais do presente desafiam a capacidade de narrar, deslocando os modos tradicionais de organizar a experiência no tempo e no espaço. O Riso dos Ratos, de Joca Reiners Terron, insere-se nesse contexto ao apresentar uma narrativa fragmentária que rompe com as formas convencionais de contar o mundo. A obra desestabiliza a estrutura aristotélica da linearidade e causalidade da ação, substituindo-a por um fluxo descontínuo no qual o protagonista é arrastado por tempos históricos sobrepostos, experimentando ciclos de violência e desamparo sem resolução. Essa fragmentação pode ser compreendida à luz de Jacques Rancière, para quem a ruptura com a lógica mimética permite reconfigurar a relação entre narrativa e realidade, organizando o sensível não pela verossimilhança, mas pela justaposição de percepções e afetos através de fragmentos do real. A partir disso, a teoria da bolsa de ficção de Ursula K. Le Guin oferece uma chave para ler O Riso dos Ratos como um conjunto de fragmentos que, reunidos, revelam uma paisagem em colapso. Buscamos demonstrar, portanto, que, ao desconstruir formas narrativas tradicionais, a obra reflete a experiência contemporânea do desastre: um mundo em que a necessidade de narrar confronta a incapacidade de dar ordem ao caos.

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Biographie de l'auteur-e

Jade Arbo, Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil

Doutoranda em Letras - Literatura, Cultura e Tradução pela Universidade Federal de Pelotas, com período de Doutorado Sanduíche na Universidade de Swansea, País de Gales, Reino Unido. É bolsista CAPES/DS, possui mestrado em Filosofia e bacharelado em Letras pela mesma instituição. Seus interesses de pesquisa atuais se concentram nos estudos em ficção científica, seu valor epistêmico, sua utilidade crítica e sua capacidade imaginativa.

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Publié-e

2025-09-30

Comment citer

ARBO, Jade. PRESO NO TORVELINHO DO PRESENTE: A FORMA NARRATIVA DO COLAPSO EM "O RISO DOS RATOS", DE JOCA RANIERS TERRON. Organon, Porto Alegre, v. 40, n. 80, 2025. DOI: 10.22456/2238-8915.146246. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/organon/article/view/146246. Acesso em: 15 sept. 2026.