MULHER IMIGRANTE HAITIANA: intersecções entre estudos migratórios e de gênero

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Mots-clés :

Migração haitiana, Gênero, Interseccionalidade, Mulheres haitianas

Résumé

Este artigo discute a migração de mulheres haitianas para o Brasil a partir dos estudos migratórios e de gênero, em uma perspectiva interseccional e decolonial. Com base em pesquisa bibliográfica e em dados empíricos oriundos de escutas e observações em programas de extensão no ensino de português brasileiro, analisamos como nacionalidade, raça, classe e gênero se articulam na experiência migratória. O texto revisita o debate sobre a feminização das migrações, enfatizando (i) o aumento da presença feminina, (ii) sua (in)visibilidade nos fluxos e, (iii) mudanças no perfil da migração. Evidenciamos a persistente invisibilização das haitianas, sua inserção majoritária em trabalhos informais e de serviços, barreiras educacionais, dificuldades de validação de diplomas e vulnerabilidades no acesso à saúde. O artigo também aponta lacunas sobre identidades e orientações LGBTQIAPN+ voltadas às mulheres haitianas. Concluímos propondo a relevância de que estudos e políticas considerem gênero como categoria relacional de análise, indissociável de raça, classe e nacionalidade, para qualificar diagnósticos e ações públicas, bem como para orientar futuras investigações com recorte empírico ampliado.

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Weidila Nink Dias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutoranda em Psicologia pela UFRGS, mestre em Psicanálise: Clínica e Cultura pela mesma instituição e graduada em Psicologia pela Faculdade São Lucas. Integra o Grupo de Pesquisa Psicanálise: psiquismo, subjetividade e pesquisa (UFRGS) e participa dos grupos Migração, Memória e Cultura na Amazônia Brasileira (MIMCAB), LEPONA e Neabi (Centro Universitário São Lucas). É também membro do Programa de Extensão Migração Internacional na Amazônia Brasileira: Linguagem e Inserção Social e atua na política pública de direitos humanos na SEAS-RO. Seus interesses de pesquisa abrangem psicologia, psicanálise, migração, linguagem e gênero em perspectiva decolonial.

Débora de Bitencourt Fél, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Mestra em Psicanálise: Clínica e Cultura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), especialista pelo Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde da Criança (UFRGS) e psicóloga pela UFRGS. Atua como psicóloga clínica em consultório particular. Principais temas de interesse: clínica psicanalítica, infância e políticas públicas.

Luciane De Conti, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Psicóloga com Bacharelado, Licenciatura, Mestrado e Doutorado em Psicologia do Desenvolvimento pela UFRGS (doutorado sanduíche na Université de Nantes, França). Realiza estágio pós-doutoral na UFMG sob supervisão de Andréa Máris Campos Guerra. É professora e pesquisadora do Departamento de Psicanálise e Psicopatologia e da Pós-Graduação em Psicanálise, Clínica e Cultura da UFRGS, atuando na linha Psicanálise, teoria e dispositivos clínicos. Foi chefe do departamento (2019–2023), coordenadora da Comissão de Extensão (2015–2018) e tutora da Residência Multiprofissional em Saúde da Criança (2016–2019). Co-coordena o NEPIs/UFRGS e integra grupos e redes como PSILACS/UFMG, Grifars/UFRN, Coletivo Amarrações e o GT Anpepp Psicanálise, Política e Clínica.

Adolfo Pizzinato, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Psicólogo (2001) e Mestre em Psicologia Social e da Personalidade pela PUCRS (2003), Doutor em Psicologia pela Universitat Autònoma de Barcelona, onde recebeu o Prêmio Extraordinário de Tese (2007–2008). É Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Atualmente é Professor Adjunto da UFRGS, atuando no Departamento de Psicologia do Desenvolvimento e da Personalidade, no Programa de Pós-Graduação em Psicologia e no de Política Social e Serviço Social. Coordena o NEPsiD – Núcleo de Estudos e Intervenção Psicossocial à Diversidade e é coordenador adjunto do CRDH-UFRGS desde 2022.

Mônica Macedo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Psicóloga formada pela PUCRS (1984), com Mestrado em Educação (1998) e Doutorado em Psicologia (2006) pela mesma universidade, e Pós-Doutorado na Universidade Nova de Lisboa (2018–2019). É Professora Permanente do Programa de Pós-Graduação em Psicanálise, Clínica e Cultura da UFRGS, onde coordena o Grupo de Pesquisa Psicanálise: psiquismo, subjetividade e pesquisa. Integra o Grupo Brasileiro de Pesquisas Sándor Ferenczi (GBPSF) e a Internacional Sándor Ferenczi Network, além do GT “Psicanálise, subjetivação e cultura contemporânea” da ANPEPP.

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Publiée

2025-12-20

Comment citer

Nink Dias, W., de Bitencourt Fél, D., De Conti, L., Pizzinato, A., & Macedo, M. (2025). MULHER IMIGRANTE HAITIANA: intersecções entre estudos migratórios e de gênero. Revista Húmus, 15(46). Consulté à l’adresse https://seer.ufrgs.br/index.php/humus/article/view/151674

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