EDITORIAL – REVISTA HÚMUS, V. 15, N. 46 (2025)
Palavras-chave:
psicanálise, Filosofia; Educação; Ética; Humanismo.Resumo
Esta edição da Revista Húmus reúne reflexões que atravessam psicanálise, educação e estudos de gênero sob um eixo comum: a análise das violências estruturais e das formas de resistência que emergem em seus interstícios. Não se trata apenas de diagnosticar opressões, mas de tensionar os dispositivos simbólicos que as sustentam. O debate inicia-se com a crítica à naturalização da diferença sexual em “Diferença anatômica entre os sexos”, que revisita a tradição psicanalítica para demonstrar como a anatomia foi convertida em norma. A interlocução se aprofunda com “O feminismo lésbico interroga a heteronormatividade da psicanálise” e com “Ideal viril, lógica fálica e ódio ao feminino”, que articulam masculinidade, patriarcado e racismo estrutural. Em chave complementar, “O pacto fratriarcal da branquitude” examina, a partir do mito de Caim, a engrenagem simbólica da meritocracia racial. A centralidade da interseccionalidade atravessa textos que analisam educação, deficiência e raça, evidenciando como racismo, sexismo e capacitismo operam de modo indissociável.
A Baixada Fluminense aparece como território de produção crítica em “Raízes Renascentes” e no “Manifesto pela vida das mulheres”, reafirmando a dimensão situada das lutas. A edição amplia seu escopo ao abordar experiências migratórias e subjetivas. “Mulher imigrante haitiana” examina as intersecções entre gênero, raça, nacionalidade e classe na feminização das migrações, revelando vulnerabilidades e protagonismos invisibilizados. Já “A solidão da mulher negra” propõe uma leitura psicanalítica do racismo e de seus efeitos sobre o corpo e o laço social, articulando colonialidade e exclusão afetiva. As violências institucionais também são problematizadas: na escola, na saúde e nas dinâmicas religiosas e digitais que reafirmam ideais viris. Ao lado dessas análises, textos como “Desconstruindo violências” e “Programa Reencontro” apontam práticas de escrita, escuta e intervenção como estratégias de reinscrição simbólica e cuidado. Este volume reafirma o compromisso da Revista Húmus com uma produção de saber ética e politicamente implicada. Mais do que mapear conflitos, a edição convoca a enfrentar as estruturas que os reproduzem, reconhecendo que gênero, raça, deficiência e migração não são categorias isoladas, mas dimensões entrelaçadas da experiência contemporânea.
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Referências
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