VIRILIDADE E MASCULINISMO RELIGIOSO CONTEMPORÂNEO: a produção da virilidade e seus impactos sobre corpos dissidentes em Machonaria e Legendários

Autores

Palavras-chave:

masculinismo religioso, virilidade, violência de gênero, psicanálise, masculinidade

Resumo

Este artigo propõe uma análise crítica das articulações entre masculinismo religioso, o ideal viril e a violência contra corpos LGBTI no Brasil contemporâneo, tomando como casos exemplares os movimentos Legendários e Machonaria. A partir de uma abordagem interdisciplinar que integra psicanálise, teoria de gênero, crítica decolonial e análise documental, analisa-se como discursos teológicos, dispositivos pastorais e tecnologias digitais se entrelaçam para reforçar normas de gênero hierárquicas, sustentar a supremacia masculina e legitimar violências simbólicas e materiais sobre dissidências de gênero e sexualidade. Argumenta-se que a virilidade — compreendida como defesa psíquica e performance normativa do gozo (jouissance) — é atravessada por processos históricos que vão da colonialidade cristã-patriarcal à contemporaneidade digital, articulando-se tanto em estratégias fundamentalistas de controle quanto em reações subjetivas de sofrimento, culpa e resistência. Ao mobilizar conceitos como masculinidade hegemônica (Connell), performatividade de gênero (Butler) e dispositivo pastoral (Foucault), o estudo evidencia a emergência de ambiências digitais de reafirmação viril, bem como a função clínica e política do deslocamento das identificações normativas, por meio da abertura ao fracasso do ideal viril e ao desejo singular. Por fim, sustenta-se a urgência de desconstruir narrativas religiosas de exclusão, promovendo uma ética de escuta capaz de produzir novos arranjos simbólicos e clínicos para práticas de cuidado e para a reinvenção de masculinidades possíveis.

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Biografia do Autor

Sam Alcântara, UFMG

Sam Alcântara é psicanalista e pesquisadora interdisciplinar de Fortaleza/CE. Doutoranda em Estudos Psicanalíticos pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com pesquisa financiada pela CAPES, onde investiga os impactos da cultura digital nos processos de desidentificação com os significantes homem e mulher.É membro do Além da Tela - Psicanálise e Cultura Digital e do Laboratório de Estudos e Pesquisas Psicanalíticas e Educacionais (UFMG/USP). Mestre e graduada em Psicologia pela Universidade de Fortaleza (Unifor), com pesquisa financiada pela FUNCAP, é também especializanda em Ciências Humanas: Sociologia, Filosofia e História e possui certificação profissional em Neurociência pela PUCRS.Professora estagiária na Faculdade de Medicina e de Psicologia da UFMG e foi coordenadora e professora da Pós-graduação em Psicanálise e Feminismo com ênfase em gênero e raça da Universidade Positivo, no Paraná, onde também lecionou na pós em Psicanálise e Filosofia. É pesquisadora associada à Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura (ABCiber), membro da Escola Psicanalítica da Escuta Periphérica e integrante do Coletivo de Pesquisa Ativista em Psicanálise, Educação e Cultura (CPAPEC).#8232;Publicou o livro Segregação Digital: ensaio psicanalítico sobre os efeitos do atual estado da internet no sujeito e no laço social (Editora Appris, 2025) e organiza o volume Tensões entre Mundos: psicanálise, feminismos, raça e gênero(Editora Calligraphie, 2026).#8232;Tem presença ativa nas plataformas digitais, onde desenvolve projetos de divulgação científica e curadoria de conteúdo sobre psicanálise, cultura digital, gênero e descolonialidade. Desenvolve atualmente a proposta teórica Paradigma Baitola, articulando psicanálise, cultura digital e teorias cuir descoloniais. Suas áreas de concentração incluem: psicanálise, cultura digital, sexualidade, gênero e teorias queer.

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Publicado

20-12-2025

Como Citar

Alcântara, S. (2025). VIRILIDADE E MASCULINISMO RELIGIOSO CONTEMPORÂNEO: a produção da virilidade e seus impactos sobre corpos dissidentes em Machonaria e Legendários. Revista Húmus, 15(46). Recuperado de https://seer.ufrgs.br/index.php/humus/article/view/151715

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