ENTRE MUROS DE DIAGNÓSTICOS E GRADES DE SILÊNCIOS: Freud, Lacan e a Psicanálise como Resistência à Psiquiatria
Palavras-chave:
psicanalise, psiquiatria, resistênciaResumo
O artigo analisa como a psicanálise, desde sua fundação com Sigmund Freud até as reformulações de Jacques Lacan, constituiu-se como um campo de saber e prática em oposição crítica à psiquiatria organicista predominante. Parte-se do contexto histórico do final do século XIX, em que a psiquiatria buscava causas biológicas para as afecções mentais, para mostrar como Freud rompeu com esse modelo ao introduzir o inconsciente como fator etiológico dos sintomas psíquicos. Em seguida, discute-se o “retorno a Freud” proposto por Lacan, que radicalizou as distinções entre psicanálise e psiquiatria, enfatizando a centralidade da linguagem, a estrutura do sujeito e a ética da escuta clínica. O texto evidencia as implicações dessa oposição para a compreensão do sofrimento psíquico e para a prática clínica contemporânea, apontando a relevância da psicanálise como um dispositivo crítico frente às lógicas medicalizantes da saúde mental.