Por uma sociologia a partir de suas margens negras

Autores

  • Camila Penna de Castro PPGS/UFRGS
  • José Carlos Gomes dos Anjos Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Pâmela Marconatto Marques

Resumo

A entrada politizada de um segmento da população que experimenta no cotidiano a desqualificação humana impõe uma desnaturalização do lugar da pesquisadora, do pesquisador que tem um efeito de politização do espaço epistêmico de produção de trabalhos científicos. Que plataforma metodológica poderia atender às muitas demandas desse segmento de recém-chegados inesperados? Como acalentar suas formas de fazer pesquisa e incentivar práticas criadoras situadas? O que tende a diferenciar seus textos das formas consolidadas de se escrever um texto científico? No presente ensaio partimos de um paradigma oriundo da religiosidade afro-brasileira e de nossa experiência com orientações de teses e dissertações e discussões em sala de aula para cartografar um espaço de possibilidades em sociologia que podem impactar o modo como se pratica a disciplina. Primeiramente, esboçamos quatro proposições advindas da epistemologia da encruzilhada, em seguida, abordamos as implicações metodológicas desse espaço teórico delineado a partir da religiosidade afro-brasileira, considerando seus efeitos na pesquisa sociológica. Concluímos com uma breve reflexão sobre os ganhos e perdas desse tipo de exercício de definição de um espaço metodológico de e para o segmento recém-chegado de gente negra na sociologia brasileira.

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Publicado

2025-11-10