Literatura negra emancipatória:
percepções estético-políticas e metamorfoses na sala de aula
Palavras-chave:
literatura negra, emancipação, educação antirracista, Lei 10.639/2003, transgressãoResumo
O artigo objetiva contribuir para a prática do ensino da literatura de autoria negra, que aqui conceituamos como Literatura Negra Emancipatória. Nesse sentido, buscamos oferecer subsídios para auxiliar professoras da educação básica na tarefa de ensinar, sob uma perspectiva efetivamente antirracista. A partir dessa abordagem, desenvolvemos uma discussão sobre as ideias de bell hooks, presentes na obra Ensinando a transgredir: educação como prática da liberdade (hooks, 2017), em diálogo com o conceito de “Escrevivência”, de Conceição Evaristo (EVARISTO, 2022). Com base nesses pressupostos teóricos, apresentamos relatos de experiências vividos por duas das autoras, que atuam como professoras de escolas públicas da cidade de São Paulo, a fim de problematizar as possibilidades de fruição literária, a partir de textos que integram o escopo do que concebemos como Literatura Negra Emancipatória. Os relatos descrevem atividades desenvolvidas com estudantes a partir da leitura de textos de Geni Guimarães e Carolina Maria de Jesus, e são analisados à luz da experiência da transformação ou da “metamorfose” e da transgressão. A metamorfose é uma metáfora proposta em um conto de Geni Guimarães, enquanto que a transgressão surge na pedagogia transgressora, conceituada por bell hooks e notória na escrita de Carolina Maria de Jesus.