Ética, Ancestralidade e Educação:

A Orixalidade como Prática Pedagógica Afro-diaspórica

Authors

Keywords:

ERER, Ancestralidade, Orixalidade, Educação

Abstract

Este artigo tem como objetivo refletir sobre pedagogias fundamentadas na orixalidade, considerando terreiros de Candomblé, Umbanda e Batuque como espaços de produção de saberes e práticas educativas afroreferenciadas que dialogam com a Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER). Fundamenta-se em referenciais teóricos de autores africanos e afro-diaspóricos, como Renato Nogueira, Sobonfu Somé, Sàsámì, Cheikh Anta Diop e Sueli Carneiro, articulando conceitos de ética da orixalidade, Iwá, Orí, cosmosensação e epistemicídio. A metodologia adotada é qualitativa, baseada em revisão bibliográfica e análise documental, com interpretação de práticas educativas em terreiros, quilombos e rodas de capoeira como corpus, entendidos como espaços de transmissão de saberes, formação ética e resistência cultural. A análise evidencia que as pedagogias da orixalidade operam como práticas circulares, experiencial e coletivas, integrando espiritualidade, ancestralidade e ética, fortalecendo a subjetividade e promovendo protagonismo dos sujeitos. Conclui-se que essas práticas educativas afro-diaspóricas contribuem para a valorização da cultura africana e afro-brasileira, afirmam a identidade africana em diáspora e apresentam-se como instrumentos de resistência epistemológica e social frente à colonialidade e ao apagamento histórico, oferecendo caminhos concretos para a implementação da ERER.

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Author Biographies

Higor Luan Santos Camargo, Universidade Federal de Pelotas

Professor com formação interdisciplinar, licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), estudante de Pedagogia pela UNIASSELVI e especialista em Educação e Novas Tecnologias pela UNINTER. É mestrando em Educação pela UFPel e realizou intercâmbio acadêmico na Universidad de Ciencias Aplicadas y Ambientales (UDCA), em Bogotá (Colômbia). Desenvolve pesquisas voltadas às filosofias africanas, subjetividades e às infâncias afro-brasileiras, com enfoque em práticas educativas afroreferenciadas.

Caroline Terra de Oliveira, Universidade Federal de Pelotas

Graduada em História Licenciatura pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG (2003) e Pedagogia pela Universidade Luterana do Brasil - ULBRA (2013). Especialista em Sociedade, Política e Cultura do Rio Grande do Sul pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG (2004). Mestre em Educação Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG (2008). Doutora em Educação Ambiental pela Universidade Federal do Rio Grande - FURG (2013). Na Educação Básica, foi professora de História no Ensino Médio e nos Anos Finais do Ensino Fundamental na Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul. Atualmente, é professora Adjunta do Departamento de Ensino da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas. Professora do curso de Especialização em Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação junto à Linha de Pesquisa intitulada Saberes Insurgentes e Pedagogias Transgressoras. Integra o grupo de pesquisa Filosofia, Educação e Práxis Social (FEPráxis/UFPel). Temáticas de interesse: Educação e mundo do trabalho, Educação Ambiental, Conflitos ambientais, Educação Popular, Ciências da Natureza na Educação Infantil e nos Anos Iniciais. 

Published

2025-11-10