Ética, Ancestralidade e Educação:
A Orixalidade como Prática Pedagógica Afro-diaspórica
Keywords:
ERER, Ancestralidade, Orixalidade, EducaçãoAbstract
Este artigo tem como objetivo refletir sobre pedagogias fundamentadas na orixalidade, considerando terreiros de Candomblé, Umbanda e Batuque como espaços de produção de saberes e práticas educativas afroreferenciadas que dialogam com a Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER). Fundamenta-se em referenciais teóricos de autores africanos e afro-diaspóricos, como Renato Nogueira, Sobonfu Somé, Sàsámì, Cheikh Anta Diop e Sueli Carneiro, articulando conceitos de ética da orixalidade, Iwá, Orí, cosmosensação e epistemicídio. A metodologia adotada é qualitativa, baseada em revisão bibliográfica e análise documental, com interpretação de práticas educativas em terreiros, quilombos e rodas de capoeira como corpus, entendidos como espaços de transmissão de saberes, formação ética e resistência cultural. A análise evidencia que as pedagogias da orixalidade operam como práticas circulares, experiencial e coletivas, integrando espiritualidade, ancestralidade e ética, fortalecendo a subjetividade e promovendo protagonismo dos sujeitos. Conclui-se que essas práticas educativas afro-diaspóricas contribuem para a valorização da cultura africana e afro-brasileira, afirmam a identidade africana em diáspora e apresentam-se como instrumentos de resistência epistemológica e social frente à colonialidade e ao apagamento histórico, oferecendo caminhos concretos para a implementação da ERER.